Domingo, 31 de agosto de 2025

Operação contra o PCC gera disputa de protagonismo entre Lula e Tarcísio

A megaoperação que investiga a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis acirrou a disputa entre o presidente Lula e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em uma prévia das eleições presidenciais do ano que vem. Na sexta-feira, no dia seguinte à ação que envolveu órgãos como a Polícia Federal (PF) e Receita, e estaduais, como o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), Lula sugeriu que a ofensiva contra o crime organizado pode alcançar Jair Bolsonaro, e cutucou Tarcísio, dizendo que o governador “não é nada” sem o ex-presidente. Em reação, Tarcísio disse que não perderia “um minuto” com as críticas de Lula e argumentou que a investigação “teve início em São Paulo”, buscando associá-la à sua gestão.

Aliados dos dois também usaram o episódio como plataforma para atacar rivais. Integrantes do PT buscaram culpar o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) por dificuldades para monitorar indícios de lavagem de dinheiro por meio de fintechs, que foram alvos da operação de quinta-feira. No início do ano, o parlamentar se tornou o principal rosto de uma mobilização nas redes contra um ato da Receita Federal que estabelecia regras de coleta de informações para transações via Pix, e que também buscava ampliar as obrigações de fintechs. Nikolas, por sua vez, acusou o governo Lula de não agir com rigor contra facções criminosas e criticou o Ministério da Justiça por não classificar essas organizações como “terroristas”, cobrança que já foi feita anteriormente por Tarcísio.

Insinuações

Na sexta-feira, durante visita a Minas Gerais, Lula afirmou que a Receita Federal fará uma “apuração mais rígida” sobre as fintechs e que isso foi impedido “lá atrás por um deputado”. O presidente também sugeriu que Bolsonaro “tome cuidado” com a apuração. Na campanha de 2022, aliados de Bolsonaro haviam tentado vincular Lula a facções como o PCC.

Embora não se coloque abertamente como candidato ao Palácio do Planalto, Tarcísio tem feito movimentos nas últimas semanas que apontam para uma candidatura presidencial em 2026. O governador foi, inclusive, cobrado nos últimos dias por aliados do ex-presidente a se filiar ao PL, partido de Bolsonaro, para participar da disputa nacional.

Tarcísio minimizou a declaração de Lula, dizendo que não perderia “um minuto com isso” e que “não liga” para a opinião do petista. Nas suas redes sociais, o governador reiterou o discurso de que a megaoperação contra o PCC surgiu “em um trabalho de inteligência e integração que teve início” na sua gestão.

A operação teve duas frentes. No caso do MP-SP, descrito pelo secretário de Segurança do estado, Guilherme Derrite, como “o grande cérebro dessa operação”, as investigações se iniciaram a partir da apreensão de um caminhão transportando uma carga de metanol, em maio de 2023. O produto, que não é fabricado no Brasil e tem uso restrito, era desviado de empresas químicas para ser entregue clandestinamente em postos de gasolina em São Paulo.

Já a PF apurou a infiltração do PCC no ramo de combustíveis a partir da movimentação financeira de um homem, condenado em 2015 por tráfico internacional, que passou a adquirir estabelecimentos falidos depois de progredir para o regime semiaberto. O faturamento desses empresas chegou a R$ 200 milhões por ano, o que despertou suspeitas.

Integrantes do governo Lula, como a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, e o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, afirmaram nas redes que a investigação ocorreu por “coragem e altivez” da gestão petista e por “decisão política de enfrentar o crime”.

Ataques nas redes

O embate pelo saldo da operação contra o PCC ocorre em um cenário em que pesquisas recentes mostram a segurança pública como uma das principais preocupações do eleitorado. Levantamento da Quaest em agosto mostrou que “violência” é a “maior preocupação” dos entrevistados, com 26%. Em quatro estados, a segurança é a área com maior avaliação negativa dos respectivos governos: Rio (60%), Bahia (45%), Pernambuco (38%) e São Paulo (36%).

Petistas e bolsonaristas também usaram a operação para propagar ataques contra adversários nas redes, o que gerou acusações de desinformação de parte a parte. Em vídeo, o deputado Guilherme Boulos (PSOL-RJ) mencionou a condenação de um primo do bolsonarista Nikolas Ferreira por tráfico de drogas, em junho, e questionou se o parlamentar queria “blindar” o familiar “na operação contra o crime organizado agora”. Já o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), usou a frase “Nikolas ajudou o PCC”. O deputado mineiro afirmou que irá acionar a Justiça por difamação contra rivais que tentaram associá-lo à operação. Com informações de O Globo

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