Segunda-feira, 01 de junho de 2026

Operação investiga ligação da prefeitura de São Paulo com a produtora do filme sobre Bolsonaro

Uma operação da Polícia Civil de São Paulo realizada nesta segunda-feira (1°) mira o ICB (Instituto Conhecer Brasil) por suspeita de fraude em um contrato com a prefeitura de São Paulo no valor de R$ 108 milhões por ano para a instalação de pontos públicos de wi-fi na cidade.

O instituto é de propriedade da empresária Karina Ferreira da Gama, sócia da produtora Go UP, que produziu o filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), intitulado “Dark Horse”.

O contrato com a prefeitura de São Paulo previa a instalação de 5 mil pontos de wi-fi gratuito na periferia da cidade até junho de 2025, mas, até agora, apenas 3,2 mil foram instalados. Ao menos três aditivos foram assinados mudando a data de entrega total do serviço.

Foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão nos endereços ligados à dona da produtora do filme e também na sede da Secretaria de Tecnologia e Inovação da capital paulista, responsável pelo contrato entre a gestão municipal e o instituto. O objetivo das buscas foi apreender computadores, documentos e celulares que ajudem a elucidar as investigações policiais.

Segundo a Polícia Civil, o valor do contrato subiu de R$ 108 milhões para R$ 157,1 milhões, com aditivos assinados pela gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB).

O inquérito da Polícia Civil apura se pelo menos R$ 26 milhões desse montante foram usados pelo instituto sem a devida prestação do serviço à cidade de São Paulo, o que configuraria possível desvio de recursos públicos.

A prefeitura paulistana divulgou uma nota sobre a operação. Veja abaixo:

“A prefeitura de São Paulo informa que colabora com investigações em andamento e segue à disposição das autoridades, tendo já prestado informações. Todo o material requisitado na manhã desta segunda-feira já havia sido encaminhado às autoridades e é, desde sempre, de acesso público através da prestação de contas do município. A administração ressalta que o programa funciona normalmente na cidade e pode ser acompanhado em tempo real no link https://institutoconhecerbrasil.org.br/wifilivrecom. Por volta das 9h desta segunda-feira, dos 3,2 mil pontos contratados pela prefeitura, apenas 52 estavam off-line e passavam por manutenção. Não houve pagamento por parte da administração para 5 mil pontos. O aditivo em questão é exclusivamente para manutenção dos 3,2 mil pontos já instalados nas comunidades periféricas da cidade. A prefeitura reforça que toda a prestação de contas, com documentos, notas fiscais, contratos e outras informações está no sistema SEI, que é público. O processo passou também por acompanhamento do Tribunal de Contas do Município (TCM). A prefeitura repudia veementemente ilações de desvios de recursos públicos, uma vez que o contrato do Instituto Conhecer Brasil seguiu rigorosamente os princípios da legalidade, transparência e economicidade. Vale lembrar que o chamamento público, aberto por 30 dias para qualquer entidade interessada, ocorreu em 2024, quando não havia sequer produção do filme mencionado, e o processo cumpriu todas as exigências legais. Para 2026, o custo estimado na parceria com o instituto corresponde a R$ 1.280,80 por ponto/mês, significativamente menor do que as propostas recebidas em 2022 de R$ 2.026,26 por ponto/mês e R$ 5.092,14 por ponto/mês.”

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