Domingo, 18 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 17 de janeiro de 2026
María Corina Machado, líder da oposição venezuelana e vencedora do Prêmio Nobel da Paz do ano passado, entregou nessa semana a medalha que recebeu como prêmio ao presidente americano, Donald Trump, durante uma esvaziada reunião na Casa Branca. O gesto ocorreu durante um almoço privado na Casa Branca e foi classificado como “patético”, “insólito” e “ridículo” pelos principais meios de comunicação da Noruega.
Horas depois do encontro com a opositora venezuelana, Trump usou as redes sociais para agradecê-la pelo reconhecimento. “María me presenteou com seu Prêmio Nobel da Paz pelo trabalho que eu realizei”, escreveu ele. “Um gesto maravilhoso de respeito mútuo. Obrigado, María!”.
A Casa Branca compartilhou nas redes sociais uma imagem de Trump segurando a moldura com a medalha Nobel. A inscrição diz que sua “ação decisiva e baseada em princípios para garantir uma Venezuela livre” foi reconhecida.
Os esforços de Corína para se aproximar de Trump foram recebidos com desprezo do outro lado do Atlântico, na Noruega, onde o prêmio é considerado não apenas prestigioso e carregado de simbolismo, mas também a principal ferramenta de soft power do país — e onde Trump é profundamente impopular. O Instituto Nobel, que concede o prêmio, está empenhado em minimizar os danos causados pela notícia.
As organizações envolvidas na premiação anual afirmaram reiteradamente que a comenda não é transferível após o processo de escolha oficial. “Uma vez anunciado, o Prêmio Nobel não pode ser revogado, compartilhado ou transferido para terceiros”, escreveram os organizadores do Nobel em um comunicado à imprensa de 9 de janeiro. “A decisão é final e irrevogável”.
Encontro com Trump
Falando com repórteres após o encontro com Trump, María Corina disse que fez a entrega do prêmio “como um reconhecimento por seu compromisso singular” com a liberdade da Venezuela.
O gesto incomum ocorreu após meses de insistência do presidente americano de que ele merecia o prêmio. María Corina dedicou repetidamente o prêmio a Trump e elogiou a operação militar americana que depôs Nicolás Maduro.
Além de comemorar a intervenção americana em seu país, María Corina manteve-se em silêncio sobre a campanha de bombardeios contra barcos que, segundo Trump, traficam drogas. Os ataques americanos mataram mais de 100 pessoas.
Não está claro o que a opositora venezuelana ganhou com seu encontro com Trump. Depois de depor Maduro, ele se recusou a apoiá-la para assumir o poder, dizendo que “ela é uma mulher muito simpática, mas não tem o respeito” necessário para liderar o país.
Em discurso a apoiadores e jornalistas em Washington na quinta-feira (15), ela disse estar “impressionada” com a clareza de Trump sobre a situação de seu país e “com o quanto ele se importa”. Com informações do Valor Econômico e O Globo.