Quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Orelhões serão extintos em todo o Brasil até o fim de 2028

Até 2028, últimos 30 mil telefones de uso público, os orelhões, devem deixar de fazer parte da paisagem urbana e rural, encerrando um capítulo histórico da comunicação no Brasil. Lançados em 1972 em todo o Brasil, os orelhões têm design assinado pela arquiteta Chu Ming Silveira, chinesa radicada no país.

A rede, que já teve mais de 1,5 milhão de terminais, era mantida por concessionárias de telefonia fixa, como uma contrapartida obrigatória do serviço. Os contratos de concessão que incluíam a manutenção dos orelhões foram firmados em 1998 e chegaram ao fim em dezembro de 2025.

Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), com a proximidade do término dos contratos, “tornou-se oportuna uma discussão mais ampla sobre o atual modelo de concessão, com o fim de buscar estimular os investimentos em redes de suporte à banda larga”.

Nesse cenário, as concessionárias buscaram celebrar acordos com a administração pública para viabilizar a adaptação da concessão do sistema de telefonia fixa (STFC) para a modalidade de autorização, regida pelo regime privado, informou a Agência.

A mudança de regime teve um fator a mais de complexidade: uma das maiores concessionárias, a Oi, passa por crise financeira desde 2016, com processo de falência aberto.

Telefones coletivos

Na prática, cerca de 9 mil telefones de uso coletivo permanecerão ativos em cidades onde não haja ao menos o sinal 4G para a rede móvel. Hoje a maior parte dos TUPs estão no estado de São Paulo, e sua localização pode ser consultada no site da Anatel.

“As empresas assumiram compromissos de manutenção da oferta de serviço de telecomunicações com funcionalidade de voz (incluindo os orelhões), em regime privado, por meio de quaisquer tecnologias, em localidades nas quais as empresas forem as únicas prestadoras presentes, até o prazo máximo de 31 de dezembro de 2028”, esclareceu a Anatel.

A agência reguladora acrescentou que as empresas se comprometeram ainda a realizar investimentos em infraestrutura de telecomunicações no país, tais como: implantação de fibra óptica em localidades sem tal infraestrutura, antenas da telefonia celular (tecnologia no mínimo 4G) em localidades sem tal infraestrutura, expansão da rede de telefonia celular em municípios, implantação de cabos submarinos e fluviais, conectividade em escolas públicas e construção de data centers.

A base que está melhor adaptada é a da Oi, que, conta com 6.707 unidades. Vivo, Algar e Claro/Telefônica desligarão suas redes este ano, restando em torno de 2 mil orelhões operados por elas. Os outros 500 TUPs são da empresa Sercomtel, nos municípios de Londrina e Tamarana, no Paraná, e só poderão ser retirados após a adaptação necessária.

História

Criado pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira enquanto trabalhava em uma companhia telefônica, o orelhão surgiu em 1971. Inicialmente, o aparelho tinha outros nomes, como Chu I e Tulipa.

Cabines telefônicas existiam em outros países, mas a criação da arquiteta se tornou icônica pelo seu design, reproduzido em outros países como Peru, Angola, Moçambique e China. O formato tinha uma justificativa funcional: a qualidade acústica. O som entrava na cabine e era projetado para fora, diminuindo o ruído na ligação e protegendo quem falava do barulho externo.

Durante décadas, os orelhões foram fundamentais para a comunicação dos brasileiros, especialmente entre os anos 1970 e o início dos anos 2000.

Facilitavam contatos urgentes, ajudavam a construir histórias, serviam como ponto de encontro e, muitas vezes, eram o único meio de falar com alguém fora de casa, fazendo muita gente esperar até cair a ficha para completar a ligação — principalmente, após ouvir o clássico “chamada a cobrar”.

Recentemente, a cabine telefônica voltou a ganhar evidência entre as gerações mais jovens ao aparecer no cartaz do filme “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, que venceu dois prêmios no Globo de Ouro, incluindo Melhor Filme de Língua Não Inglesa e Melhor Ator para Wagner Moura. As informações são da Agência Brasil e g1.

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