Sexta-feira, 01 de julho de 2022

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Otan expulsa oito diplomatas russos acusados de espionagem e Moscou promete retaliação

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), principal aliança militar do Ocidente, retirou as credenciais de oito integrantes da missão permanente da Rússia junto à organização, acusando os diplomatas de serem “oficiais da inteligência russa não declarados”.

O incidente ocorre em meio a um período de grave deterioração das relações entre a Otan e a Rússia, que recentemente incluiu ameaças de ataques a embarcações e acusações mútuas sobre “provocações”.

Pela decisão, relatada inicialmente pela rede Sky News, a Otan reduz pela metade o contingente russo junto à organização em Bruxelas, que agora passa a ter dez integrantes. Os oito russos que tiveram as credenciais revogadas terão até o fim do mês para deixar o país.

Outras duas posições que estavam vagas foram eliminadas. Apesar de não integrar a Otan, a Rússia mantém uma missão diplomática na sede da aliança militar desde 1998.

“Podemos confirmar que retiramos as credenciais de oito integrantes da missão russa junto à Otan, que eram oficiais da inteligência russa não declarados”, apontou um representante da aliança. “A política da Otan relacionada à Rússia permanece consistente. Fortalecemos nosso poder de dissuasão e de defesa em resposta às ações agressivas russas, ao mesmo tempo em que permanecemos abertos ao diálogo.”

De acordo com a rede britânica, a decisão, tomada em acordo pelos 30 países da Otan, veio depois de revelações recentes sobre o suposto envolvimento russo em duas explosões em um depósito de munições na República Tcheca, em 2014.

Diante dos fatos, a aliança deu início a uma análise sobre potenciais ações da inteligência russa na Europa, incluindo assassinatos, atos de espionagem e sequestros, e o texto final foi compartilhado com os integrantes da Otan em setembro.

Na entrevista à Sky News, o integrante da Otan recordou ainda que o principal fórum de diálogo bilateral, o Conselho Otan-Rússia, estabelecido em 2002, está paralisado há quase dois anos.

“A Otan propôs uma nova reunião do conselho há cerca de 18 meses, e a proposta segue válida. A bola está no campo russo”, declarou.

Ao responder às alegações da aliança, o chefe da Comissão de Relações Exteriores da Duma, a Câmara Baixa do Parlamento russo, Leonid Slutsky, afirmou que as acusações não procedem, e alertou para o risco das medidas abalarem ainda mais as relações. Ele declarou ainda que Moscou pode responder com “medidas assimétricas”, segundo a agência Interfax, mas sem dar detalhes.

Relações tensas

O corte na missão russa foi a medida mais dura contra Moscou desde 2018: na época, logo depois do envenenamento do ex-espião russo Sergei Skripal e sua filha Yulia, em Salisbury, no Reino Unido, a Otan decidiu pela redução no contingente da Rússia junto à aliança de 30 para 20 integrantes, expulsou sete diplomatas e revogou as credenciais de outros três. O Kremlin nega qualquer envolvimento no caso.

Agora, a decisão ocorre em um dos momentos mais tensos nas relações entre os dois lados desde o fim da Guerra Fria. Por um lado, a aliança vem realizando operações frequentes nos países do Leste Europeu, que fazem limite com a Rússia, além de manobras no Mar Negro, área considerada de influência por Moscou. Há ainda o impacto da anexação da Península da Crimeia, em 2014, que também minou os laços da Rússia com outras instituições políticas da Europa.

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