Quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Ouvidoria-Geral do Estado: cidadania e escuta qualificada na Operação Verão Total

O verão gaúcho é tradicionalmente associado ao turismo, ao lazer e ao movimento intenso nas praias do litoral. Mas, em meio às ações de segurança, saúde e cultura que compõem a Operação Verão Total 2025/2026, há um eixo menos visível e igualmente essencial: a cidadania. A presença da Ouvidoria-Geral do Estado (OGE) nas praias e cidades litorâneas revela uma aposta do governo em aproximar o cidadão das instituições públicas, orientando sobre o uso correto dos canais oficiais e fortalecendo a confiança na gestão.

A Ouvidoria, vinculada à Casa Civil, é responsável por receber manifestações, denúncias, elogios e pedidos de informação com base na LAI – Lei de Acesso à Informação. Em 2025, foram registradas 3.603 demandas que não cabiam ao Executivo estadual, mas sim a municípios ou outros poderes. Do total, 2.477 eram denúncias, 960 manifestações gerais e 166 pedidos via LAI. Em todos os casos, os cidadãos foram orientados sobre o órgão competente. O dado revela uma fragilidade recorrente: a dificuldade da população em identificar corretamente a quem recorrer.

Esse cenário tem consequências práticas. O encaminhamento incorreto gera retrabalho administrativo, aumenta o tempo de resposta e provoca frustração no usuário. Ao levar atendimento presencial para locais de grande circulação, como Capão da Canoa, Imbé e Camaquã, a OGE busca enfrentar esse desafio com informação clara e escuta qualificada. Mais do que atender, educa. Mais do que responder, esclarece.

Educação cidadã como eixo estratégico

Durante a Operação Verão, equipes da Ouvidoria orientam sobre quando acionar o Estado, explicam a diferença entre demandas estaduais e municipais e distribuem materiais educativos. A ação ocorre em parceria com órgãos como o Procon-RS, reforçando o caráter transversal da Operação Verão Total.

A ouvidora-geral do Estado, Viviane Migliavacca, sintetiza o propósito: “Estar presente nos diversos ambientes, dialogando diretamente com a população, nos permite orientar a comunidade sobre o uso correto dos canais oficiais e esclarecer as atribuições de cada ente federativo. Essa aproximação contribui para reduzir o encaminhamento incorreto de demandas, tornar o atendimento mais eficiente e fortalecer a confiança do cidadão nas instituições públicas”.

A fala traduz o espírito da iniciativa: não se trata apenas de números ou estatísticas, mas de confiança. Quando o cidadão percebe que sua manifestação é ouvida, mesmo que precise ser redirecionada, ele passa a acreditar mais nas instituições. Essa confiança é um ativo político e social que não se mede em relatórios, mas em vínculos.

O desafio da continuidade

A presença da Ouvidoria nas praias é um gesto simbólico e prático. Simbólico porque mostra que cidadania também pode ser vivida à beira-mar, em meio ao cotidiano dos veranistas. Prático porque reduz erros de encaminhamento e melhora a experiência do cidadão.

Mas há um desafio que precisa ser enfrentado: a continuidade. A cidadania não pode ser sazonal. Se a Operação Verão Total é vitrine, o cotidiano é o teste real. O cidadão que aprende em janeiro a diferença entre uma demanda estadual e municipal precisa encontrar, em março ou setembro, canais igualmente acessíveis e eficientes. Caso contrário, a confiança construída na temporada se perde.

Transparência e fortalecimento institucional

A expectativa é que a atuação da OGE durante a Operação Verão Total reduza o número de manifestações fora da competência do Executivo estadual, aumente a eficiência no tratamento das demandas e melhore a experiência do cidadão no relacionamento com o Estado.

Mais do que atender, a Ouvidoria busca educar. Ao orientar sobre o papel de cada ente federativo e esclarecer como utilizar os canais oficiais, contribui para uma sociedade mais consciente, participativa e confiante em suas instituições.

Um verão de cidadania

Ao lado dos shows, das oficinas culturais e das ações de lazer, a Ouvidoria-Geral do Estado mostra que cidadania também pode ser vivida à beira-mar. A escuta qualificada, a orientação direta e a transparência são tão importantes quanto a infraestrutura e a segurança.

O verão gaúcho de 2026, portanto, não será apenas de sol e mar. Será também de diálogo. E talvez seja esse o maior legado da Operação Verão Total: mostrar que cidadania se constrói no cotidiano, mas pode começar com uma conversa simples, debaixo de um toldo, entre um cidadão e o Estado. (por Gisele Flores – Gisele@pampa.com.br)

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