Domingo, 03 de maio de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 2 de maio de 2026
Os europeus precisam assumir maior responsabilidade por sua própria segurança, disse nesse sábado (2) o ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius. A declaração foi uma resposta ao anúncio de planos dos Estados Unidos de retirar 5 mil soldados do país europeu.
“Os europeus precisam assumir mais responsabilidade por sua própria segurança”, disse Pistorius, acrescentando que “a Alemanha está no caminho certo” ao expandir suas Forças Armadas, acelerar compras militares e investir em infraestrutura.
Pistorius afirmou ainda que a retirada parcial afetará um contingente atual de quase 40 mil soldados americanos que estão alocados na Alemanha. Outras estimativas apontam cerca de 35 mil militares da ativa no país.
A Alemanha pretende aumentar o número de soldados da ativa das suas forças armadas, a Bundeswehr, dos atuais 185 mil para 260 mil, embora críticos do ministro defendam um número ainda maior diante da percepção de ameaça crescente da Rússia.
Os países da Otan se comprometeram a assumir mais responsabilidade por sua própria defesa, mas, com orçamentos apertados e grandes lacunas de capacidade militar, levará anos para que a região consiga suprir suas necessidades de segurança.
A Otan afirmou nesse sábado (2) estar trabalhando com os Estados Unidos para entender os detalhes da decisão americana de reduzir o contingente de tropas na Alemanha, segundo a porta-voz da aliança, Allison Hart.
“Estamos trabalhando com os EUA para entender os detalhes da decisão sobre a presença de forças na Alemanha. Esse ajuste ressalta a necessidade de a Europa continuar investindo mais em defesa e assumir uma parcela maior da responsabilidade por nossa segurança compartilhada — algo em que já vemos progresso desde que os aliados concordaram em investir 5% do PIB na cúpula da OTAN em Haia no ano passado”, escreveu Hart no X.
Brigada completa
A presença militar dos EUA na Alemanha, que começou como força de ocupação após a Segunda Guerra Mundial, atingiu o auge nos anos 1960, quando centenas de milhares de militares americanos estavam no país para conter a União Soviética durante a Guerra Fria.
Essa presença inclui a grande base aérea de Ramstein e o hospital de Landstuhl, ambos usados pelos EUA para apoiar a guerra no Irã, além de conflitos anteriores no Iraque e no Afeganistão.
A decisão do Pentágono significa que uma brigada completa deixará a Alemanha e que um batalhão de ataque de longo alcance, previsto para ser enviado ainda este ano, será cancelado.
A perda dessa capacidade de longo alcance será um golpe especialmente duro para Berlim, já que ela seria um importante elemento adicional de dissuasão contra a Rússia enquanto os europeus desenvolvem seus próprios mísseis desse tipo.
Entenda o caso
Os Estados Unidos anunciaram na sexta-feira (1º) que vão retirar 5 mil soldados da Alemanha. De acordo com o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, o processo deve ser concluído em até 12 meses.
O movimento é visto como uma forma de punir Berlim diante de uma crise diplomática entre os dois países.
No início da semana, o chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou que os iranianos estavam “humilhando” os EUA nas negociações para encerrar o conflito, que já dura dois meses.
Trump rebateu a afirmação no dia seguinte, dizendo que o chanceler não sabia o que estava falando e que a Alemanha estava “indo mal”. Depois, o presidente publicou em uma rede social que avaliava retirar tropas do território alemão.
A Alemanha é a principal base militar dos EUA na Europa, com cerca de 35 mil militares em serviço ativo. O país funciona como um centro estratégico de treinamento para os norte-americanos.
Segundo a Reuters, a redução deve levar o número de tropas dos EUA na Europa de volta a níveis próximos aos de antes de 2022, quando a invasão da Ucrânia pela Rússia levou a um reforço militar ordenado pelo então presidente Joe Biden.
Itália e Espanha
Após confirmar que pretendia retirar tropas da Alemanha, Trump afirmou que pode fazer o mesmo com Espanha e Itália.
“Provavelmente vou fazer isso. A Itália não tem ajudado em nada e a Espanha tem sido horrível, absolutamente horrível”, afirmou.
Espanha e Itália adotaram postura mais restritiva em relação aos ataques dos EUA ao Irã. No fim de março, o governo espanhol fechou o espaço aéreo para aeronaves americanas envolvidas na guerra. Já os italianos negaram o uso de uma base aérea na Sicília em operações de combate.
No início de abril, o jornal The Wall Street Journal revelou que Trump avaliava punir países da Otan por falta de apoio à guerra contra o Irã. Entre as medidas estaria a transferência de tropas para países que apoiaram a ofensiva no Oriente Médio, como Polônia, Romênia, Lituânia e Grécia. (As informações são do g1)