Terça-feira, 21 de abril de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 21 de abril de 2026
O papa Leão XIV advertiu nesta terça-feira (21) que o futuro da humanidade corre o risco de ser “tragicamente comprometido” por causa das guerras em curso e do colapso do direito internacional, em um discurso vigoroso na Guiné Equatorial em sua turnê por quatro países da África.
O primeiro papa norte-americano, que atraiu a ira do presidente dos EUA, Donald Trump, depois de se tornar mais franco em suas críticas às guerras nas últimas semanas, também condenou o que chamou de “colonização” dos recursos de petróleo e minerais da Terra, que, segundo ele, está gerando conflitos sangrentos.
“O destino da humanidade corre o risco de ser tragicamente comprometido sem uma mudança de direção na assunção da responsabilidade política e sem respeito pelas instituições e acordos internacionais”, disse o papa.
Em um discurso para o presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, e outros líderes políticos, o líder da Igreja, de 1,4 bilhão de membros, disse: “Deus não quer isso.”
Ele acrescentou: “Seu santo nome não deve ser profanado pela vontade de dominar, pela arrogância ou pela discriminação. Acima de tudo, ele nunca deve ser invocado para justificar escolhas e ações de morte.”
Em comentários anteriores, no voo de Angola para Malabo, na ilha de Bioko, no Golfo da Guiné, o papa prestou homenagem ao seu antecessor, papa Francisco, que morreu há exato um ano. Leão XIV, que está visitando a Guiné Equatorial na última etapa de uma ambiciosa turnê de 10 dias, assumiu um novo estilo de discurso enérgico durante sua passagem pela África, fazendo denúncias contundentes sobre guerra, desigualdade e liderança global.
Ele advertiu na segunda-feira, em um evento em Angola, que muitas pessoas no mundo estão sendo “exploradas por autoritários e defraudadas pelos ricos”.
Obiang lidera a Guiné Equatorial desde 1979 e tem sido amplamente criticado como um dos líderes mais repressivos da região. Seu governo nega as alegações de abusos de direitos humanos e corrupção.
Os comentários de Leão lamentando o uso da religião para justificar a violência ecoam as falas que ele fez em março, quando disse que Deus rejeita as orações de líderes com “mãos cheias de sangue”. Esses comentários foram interpretados por católicos conservadores como sendo dirigidos ao secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, que invocou a linguagem cristã para justificar a guerra contra o Irã.