Domingo, 15 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 15 de março de 2026
O papa Leão XIV renovou, neste domingo (15), o seu apelo à paz no Oriente Médio, ao fim da guerra e à reabertura do diálogo. Durante oração semanal do Angelus no Vaticano, o pontífice americano reconheceu o sofrimento dos povos da região, descrevendo as agressões como uma “violência atroz” e pedindo um cessar-fogo. A guerra entra no seu 16º dia, após ataque conjunto dos Estados Unidos e Israel contra o Irã.
“Milhares de pessoas inocentes foram mortas e inúmeras outras foram forçadas a fugir das suas casas. Renovo a minha proximidade a todos aqueles que perderam entes queridos nos ataques que atingiram escolas, hospitais e áreas residenciais”, afirmou o Pontífice, acrescentando: “Em nome dos cristãos do Oriente Médio e de todas as mulheres e homens de boa vontade, dirijo-me aos responsáveis por este conflito. Cessar fogo! Que sejam reabertos os caminhos do diálogo! A violência nunca poderá levar à justiça, à estabilidade e à paz que as pessoas esperam.”
O papa também mencionou a situação no Líbano, onde Israel reabriu a frente de guerra com o Hezbollah, como um motivo particular de preocupação. Na última terça-feira, Beirute pediu ajuda à Santa Sé para proteger e preservar a presença dos cristãos no sul do país, na fronteira com o território israelense. A região tem sido atingida por bombardeios constantes que causaram uma enorme crise humanitária.
As declarações de Leão XVI mostram como o primeiro Papa americano tem andado numa corda bamba ao tentar equilibrar pronunciamentos contundentes pela paz e ensinamentos cristãos, ao mesmo tempo em que não deseja deflagrar um confronto direto com o presidente dos EUA, Donald Trump.
De volta à tradição
Quatro fontes do Vaticano informaram ao Washington Post que o Papa não tem interesse em uma resposta mais dura ao republicano, como o fez quando classificou a política americana de perseguição aos imigrantes como “desumana”.
Para se ter um exemplo, durante a invasão à Venezuela que culminou na captura do ditador Nicolás Maduro, em janeiro, Leão XVI fez um apelo à “diplomacia” e disse estar preocupado com os acontecimentos no país caribenho, mas sem citar Trump ou os EUA nominalmente.
Na prática, enquanto o Pontífice apresenta-se como um unificador, construtor de pontes e contra a polarização, sem pender para um lado, os cardeais e bispos americanos falam sobre o conflito com mais firmeza. Uma estratégia diplomática nem um pouco inovadora, tradicionalmente adotada pelos papas.
A intenção é fazer com que as igrejas nacionais tomem a frente na mensagem aos seus governantes. O cardeal Robert McElroy, maior autoridade da Igreja em Washington, descreveu que a guerra não era “moralmente legítima” e nem “justa”. Já o cardeal Blade J. Cupich, arcebispo de Chicago e confidente de Leão XIV, descreveu o confronto iniciado no último dia 28 como “repugnante”.
Secretário de Estado do Vaticano e porta-voz do Papa, Pietro Parolin, observou que, “se os Estados fossem reconhecidos como tendo o direito à ‘guerra preventiva’, o mundo inteiro correria o risco de ser incendiado”.
No caso da Venezuela, três clérigos católicos de mais alto escalão dos EUA afirmaram que o “fundamento moral das ações da América” no mundo tinha sido posto em xeque. Quanto aos imigrantes, uma conferência com bispos de diferentes posicionamentos votou, por 215 a 5, pela aprovação de um comunicado sobre os imigrantes nos EUA.
No documento, os bispos disseram que “se opõem à deportação em massa indiscriminada de pessoas” e que oram “pelo fim da retórica desumanizadora e da violência, seja direcionada a imigrantes ou às forças da lei”. (Com informações de O Globo)