Quarta-feira, 22 de maio de 2024

Para melhorar o clima, Lula e o presidente da Câmara dos Deputados definem canal direto de comunicação

Depois de semanas de estranhamento na relação do Planalto com o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), uma reunião selou o que deve ser o caminho para melhorar o clima que pode tornar menos difícil o caminho para as pautas do governo no Congresso. O presidente Lula e Lira definiram um canal direto de comunicação, via ajudância de ordens, além de dar um espaço maior de intermediação para o ministro chefe da Casa Civil, Rui Costa.

Lula indicou que não vai mudar o comando da Secretaria de Relações Institucionais, mantendo o ministro Alexandre Padilha, mas abriu espaço para ser mais presente na articulação com o Congresso.

Nos governos Lula 1 e 2, o presidente da República fazia muito mais contatos diretos com líderes e com o comando do Senado e Câmara. Neste terceiro mandato, nem celular Lula tem. Ele fala com as pessoas ou via ajudantes de ordens, ou pelo telefone da primeira-dama, Janja.

O governo quer ajuda do presidente da Câmara para votação de projetos importantes e medidas provisórias, como as que tratam de temas econômicos que podem ser decisivos para as contas do governo, a tentativa de atingir o déficit zero e ampliar a arrecadação.

O alvo

O principal alvo das reclamações do deputado alagoano é o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, apontado como responsável pelo atraso na liberação dos recursos. Nos bastidores, deputados do Centrão — e o próprio presidente da Câmara – chegaram a pedir a demissão do ministro. Arthur Lira deixou expressa a sua insatisfação ao não comparecer ao ato que marcou um ano dos ataques de 8 de janeiro, à abertura dos trabalhos do Judiciário, no Supremo Tribunal Federal (STF), tampouco à posse do novo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski.

O climão após o discurso de Lira também levou ao cancelamento de uma reunião marcada entre Padilha, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e líderes do Parlamento, na terça-feira.

O presidente da Câmara destacou que, no ano passado, agiu em prol de pautas governistas, como a Reforma Tributária e, antes disso, a PEC da Transição. Também expôs suas queixas a Lula que, por sua vez, comprometeu-se a falar diretamente com Lira com mais frequência. O chefe do Executivo sugeriu o nome do ministro da Casa Civil, Rui Costa, como interlocutor alternativo enquanto durar a rusga com Padilha. Questionado pelo mandatário sobre seu ataque ao governo, Lira justificou dizendo que representa o Parlamento, cuja maioria é conservadora.

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