Quinta-feira, 12 de março de 2026

Para o presidente da Confederação Nacional da Indústria, o Brasil não tem condições de adotar redução na jornada de trabalho

A redução da jornada de trabalho no Brasil gera custos adicionais para empregadores, que repassarão o impacto para os preços ao consumidor, afirma o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban.

Ele se diz pessoalmente a favor do regime de cinco dias de trabalho por dois de descanso, mas alerta que tal evolução comprometeria ainda mais a competitividade dos produtos brasileiros, já afetada pela baixa produtividade. O fim da escala 6×1 é uma das vitrines que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deseja apresentar na sua campanha à reeleição.

“Nós não temos condições. Quem vai pagar a conta sabe quem é? É o consumidor de novo. Esse custo vai ser repassado”, diz Alban.

O empresário afirma ainda que a revisão jurídica do acordo entre União Europeia e Mercosul é uma oportunidade para discutir aprimoramentos e reduzir riscos futuros. Ele minimizou o risco de um impacto negativo da decisão tomada pelo Parlamento Europeu. “Nossa proatividade é muito importante no sentido de buscar soluções.”

Confira os principais trechos da entrevista de Ricardo Alban à Folha de S. Paulo:

Redução da jornada de trabalho

Alban: “Eu sou a favor do [regime] 5×2. Hoje, nós não temos [escala] 6×1. Hoje, de fato, a jornada no Brasil é 5,5 por 1,5. Cinco dias úteis e metade de um dia. A jornada de trabalho de sábado não são oito horas, são quatro. A carga horária média no Brasil está em 38 horas [semanais].

O que nós estamos discutindo no Brasil? A falta de competitividade. A produtividade é baixíssima, não cresce há décadas. Como vamos ter competitividade aumentando o custo? O custo se repassa.

Eu, particularmente, entendo que a evolução da relação capital-trabalho, da sociedade, do bem-estar é irmos para 5 por 2. Nós não temos condições. Quem vai pagar a conta sabe quem é? É o consumidor de novo. Esse custo vai ser repassado”.

Opinião pública

Alban: [Cerca de dois terços da população defendem a redução de jornada] É natural, porque eles não têm a percepção da causa e efeito. O que nós vamos trabalhar é na demonstração disso. É o que já pedimos para o nosso Observatório da Indústria [centro de produção de dados da CNI]. O que isso vai representar na ponta final?

Questão fiscal

Alban: “Existem injustiças tributárias? Certamente. Quando faz um corte linear linear de 10%, está resolvendo ou aumentando a injustiça tributária? Se eu tenho 50% de benefício e não preciso dele para o meu negócio, ou eu não transformo ele em eficiência, eu tiro 10%. No outro [negócio] eu preciso e tiro 10%. Você está ajudando a quem? A quem não precisa”.

Acordo Mercosul-UE

Alban: “Essa dificuldade da judicialização era prevista, talvez até esperada. Acho que é mais uma oportunidade de a gente aprimorar [o acordo]. Pode vir a ajudar a minimizar riscos futuros. Talvez alguns aperfeiçoamentos que gerem menos questiúnculas depois.

A gente ainda precisa ver o embalo que vai ser dado a essas tratativas. Não sabemos qual vai ser a toada do processo, como é que ele vai ser, que nós temos a avaliar. Mas, certamente, nossa proatividade é muito importante no sentido de buscar soluções”.

Ganhos da indústria

Alban: “O Brasil passa a ter um período médio superior em oito anos para as adaptações das taxas em relação à União Europeia. Significa que o Brasil terá oito anos a mais para atingir essas metas [de redução das alíquotas].

O mundo está começando a exigir um conceito de complementariedade. As relações comerciais internacionais entre blocos, entre países, vão ser mais eficientes. É o ganha-ganha. Agregar valor em determinado país, em determinada nação, de acordo com suas vantagens competitivas.

Nós exportamos muitos produtos semi-industrializados que são complementares na produção americana, que, por sua vez, exporta máquinas e equipamentos para nós. Nós tivemos muito isso com Europa, Alemanha, França, Itália, e diminuiu em termos relativos. Esse acordo poderá ser muito útil nessa volta da complementariedade”. (Com informações da Folha de S. Paulo)

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