Domingo, 01 de fevereiro de 2026

Passagem de Rafah, entre Gaza e o Egito, reabre parcialmente após dois anos de bloqueio

A passagem de Rafah, entre Gaza e o Egito, iniciou neste domingo (1) uma fase de testes antes da reabertura planejada, que permitirá a um número limitado de palestinos deixar o território devastado pela guerra e concluir a primeira fase do plano de cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos.

Segundo a agência Reuters, caminhões com ajuda humanitária já foram vistos atravessando Rafah a caminho de Khan Younis, em Gaza, e retornando da cidade. Os veículos chegaram ao território pela passagem de Kerem Shalom

A passagem crucial, que está praticamente fechada desde que Israel a tomou em maio de 2024, passou por uma série de preparativos da União Europeia, do Egito e de outras partes envolvidas na gestão, segundo o COGAT (Coordenador das Atividades Governamentais nos Territórios) de Israel.

A passagem estará aberta apenas para a “passagem limitada de residentes”, esclareceu o COGAT, sem, no entanto, indicar uma data para quando os residentes poderão atravessar.

Ali Shaath, chefe do comitê tecnocrático palestino responsável pela administração de Gaza, afirmou nas redes sociais que a passagem será aberta nos dois sentidos na segunda-feira (2).

Quando Shaath anunciou a abertura da passagem em meados de janeiro, ele afirmou que isso “sinaliza que Gaza não está mais fechada para o futuro e para o mundo”. No entanto, a abertura limitada e as restrições ao uso da passagem, que durante anos trouxe caminhões carregados de ajuda humanitária diariamente, estão muito aquém das operações plenas de Rafah.

Um oficial de segurança israelense disse que 150 palestinos por dia terão permissão para sair de Gaza, mas apenas 50 poderão entrar. No entanto, o alto preço da travessia de Rafah — alguns palestinos relataram ter pago milhares de dólares, valor que poucos podem arcar — aliado aos longos processos burocráticos e de segurança, significa que poucos palestinos podem realisticamente esperar sair da Faixa de Gaza.

A reabertura completa da passagem de Rafah fazia parte da primeira fase do acordo de cessar-fogo mediado pelos EUA, que entrou em vigor em meados de outubro de 2025. Mas Israel se recusou a reabrir a passagem até o retorno de todos os reféns, vivos e mortos. O último refém morto, Ran Givili, foi devolvido a Israel na semana passada.

O retorno de Gvili e a reabertura da passagem de Rafah concluem a primeira fase do acordo de cessar-fogo de 20 pontos. Os EUA anunciaram o início da segunda fase do acordo há duas semanas, quando o presidente Donald Trump lançou oficialmente o Conselho de Paz em Davos.

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