Segunda-feira, 02 de fevereiro de 2026

Pastor da Assembleia de Deus ataca deputada porque ela apoia o governador gaúcho

As prévias do PSDB acabam de servir ao País um aperitivo, de validade vencida, do banquete tóxico e indigesto em que podem se transformar as eleições de 2022. Eduardo Leite (PSDB) e a deputada federal Geovania de Sá, que preside o diretório estadual tucano em Santa Catarina, foram alvo de ataques e ofensas feitas por um pastor da Assembleia de Deus em vídeo divulgado nas redes sociais. O subtexto do jogo rasteiro e pesado é muito claro: o líder religioso não aceita o apoio da parlamentar ao pré-candidato a presidente assumidamente gay.

No vídeo, Valdir Paulino diz que a deputada deve pedir perdão e que ela não terá mais o apoio das igrejas para nenhuma outra disputa eleitoral depois de manifestar apoiar um homem “desse tipo”.

“Como cristão, meu Deus é plural, ama as pessoas de bem e perdoa os pecadores. A manifestação do pastor é uma injustiça com a deputada e uma agressão a mim, mas eu o perdoo”, disse o governador Eduardo Leite.

O vídeo causou espanto até entre as lideranças mais conservadoras. A Frente Parlamentar Evangélica da Câmara reagiu em apoio a Geovania e questionando o vídeo. “Fomos surpreendidos pela suspensão do apoio à deputada”, disse em nota o deputado Cezinha de Madureira (PSD-SP), que preside a frente.

Homofobia

Um outro caso de homofobia também chamou atenção da classe política no fim de setembro.

O senador Fabiano Contarato (Rede-ES) fez um discurso na abertura da sessão da CPI da Covid no qual protestou contra uma frase homofóbica postada em rede social pelo depoente, o empresário bolsonarista Otávio Fakhoury.

A mensagem de Fakhoury à qual Contarato se referiu apontava um erro de ortografia cometido pelo senador, também em uma rede social. Na ocasião, o parlamentar havia comentado o depoimento à CPI, em maio, do ex-secretário de Comunicação da Presidência Fabio Wajngarten. Contarato escreveu que Wajngarten deveria ser preso e que, no depoimento, havia se configurado “estado fragancial (sic)”.

“O delegado [Contarato], homossexual assumido, talvez estivesse pensando no perfume de alguma pessoa ali daquele plenário… Quem seria o ‘perfumado’ que lhe cativou?”, escreveu o empresário bolsonarista.

Contarato, que é casado com um homem e tem dois filhos, disse para Fakhoury: “O senhor não é um adolescente. O senhor é casado, tem filhos. A sua família não é melhor que a minha”, afirmou o senador.

Contarato também pediu na ocasião que a Polícia Legislativa investigasse Fakhoury por homofobia. O vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), pediu que o Ministério Público Federal seja informado sobre “ocorrência de eventual crime de homofobia por parte do depoente”.

Contarato discursou da cadeira da presidência da CPI, cedida pelo presidente, Omar Aziz (PSD-AM) para dar destaque à fala. Com a voz embargada, dirigindo-se a Fakhoury, afirmou:

“Eu aprendi que a orientação sexual não define caráter, a cor da pele não define o caráter, poder aquisitivo não define caráter”, disse. “Eu sonho com o dia em que eu não vou ser julgado por minha orientação sexual. Sonho com o dia em que meus filhos não serão julgados por ser negros. Eu sonho com um dia em que minha irmã não vai ser julgada por ser mulher e que o meu pai não será julgado por ser idoso”, declarou o senador.

Bolsonaro

Contarato afirmou ainda que Fakhoury representa bem o presidente Jair Bolsonaro, por ser alguém que defende a família, que defende a moralidade, mas, segundo o senador, acaba violando a moralidade e a legalidade. E disse que, em razão desse tipo de comportamento, ainda não chegou o dia em que as pessoas não serão mais discriminadas.

“Esse dia ainda não chegou porque o senhor é o tipo da pessoa que retrata muito bem esse presidente da República, que fala na família, na família tradicional. Mas a minha família não é pior do que a sua porque a mesma certidão de casamento que o senhor tem eu também tenho; que fala na Pátria, que fala na legalidade, que fala na moralidade, mas o senhor é o principal violador dessa legalidade e moralidade; que fala em Deus acima de todos. Deus está no meio de nós”, afirmou o senador.

Quando Contarato terminou o pronunciamento, Fakhoury se dirigiu ao senador e pediu desculpas, afirmando que o comentário foi “infeliz”, “em tom de brincadeira” e “brincadeira de mau-gosto”.

“Eu respeito sua família como respeito a minha, tenho amigos de todos os lados, de preferências, orientações. Portanto, declaro que meu comentário não teve a intenção de lhe ofender. Sei que lhe ofendi profundamente e peço desculpas. Não sou uma pessoa que descrimina raça, cor ou orientação sexual”, afirmou.

Em seguida, se desculpou com “todos que se sentiram ofendidos”.

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