Quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 15 de janeiro de 2026
O pastor Silas Malafaia voltou a criticar a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), nesta quinta-feira (15), após a parlamentar divulgar a lista com os nomes de igrejas e pastores investigados na CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) que apura as fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
Ele acusa Damares de querer tirar “proveito político” da situação, além de avaliar não haver “grandes igrejas” envolvidas, conforme a senadora havia dito. No último domingo, Damares afirmou que a comissão parlamentar tem sofrido pressões de pessoas e instituições que buscam atrapalhar as investigações por terem identificado instituições religiosas e “grandes pastores” como parte dos desvios ilegais.
“Ela tenta tirar proveito político do que não fez”, afirmou Malafaia, em vídeo publicado nas redes sociais. “Não é Damares que denuncia igrejas e pastores. O que ela faz, junto dos outros deputados e senadores, é assinar requerimento de convocação. Ela não denuncia pastores, tampouco igrejas”.
Em nota publicada no Instagram na noite desta quarta-feira (14), Damares já havia dito que as informações mencionadas em relação às igrejas são públicas, constam em documentos oficiais e já foram aprovadas pelos integrantes da comissão. Ela também ressaltou que foi a autora do requerimento que resultou na criação da CPMI do INSS, instalada em 2025, e que atua como membro titular da comissão desde o início dos trabalhos.
No mesmo vídeo, Malafaia afirmou ter conversando com o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), para questionar sobre as pressões declaradas por Damares. De acordo com o pastor, o parlamentar destacou que “absolutamente não houve” lobby de líderes religiosos em busca de atrapalhar as investigações.
Viana também teria dito a Malafaia que, segundo as investigações, há indícios de que duas igrejas foram criadas para lavagem do dinheiro dos aposentados, que realizaram ofertas para “igrejas menores”:
“A Damares mente. Primeiro, diz que tem grandes igrejas, e não tem. E segundo, ela está desafiada a dar o nome de pastores evangélicos que fizeram lobby para ela se calar, como se esse documento fosse secreto. Ela quer tirar vantagem política”, disse Malafaia. “Eu quero que venha tudo à tona, porque a igreja e nós, líderes, não vamos receber pecha de corruptos daquilo que não temos nada a ver”.
A publicação da lista por Damares ocorreu após a parlamentar também ser cobrada publicamente pelo pastor, que a chamou de “linguaruda” por expor a ligação de religiosos com o esquema “sem dar nomes”.
“Ou a senhora dá os nomes ou a senhora é uma leviana linguaruda”, disse o pastor. “Se já não bastasse Satanás e os ímpios que nos odeiam para nos caluniar, vem alguém dita evangélica e traz uma denúncia dessa gravidade sem dar nomes? A senhora guarde sua língua e, se não tem os nomes, cale a boca. Se tem, denuncie para o bem da igreja evangélica”.
Próximos passos
Para 2026, Carlos Viana informou que os parlamentares vão realizar, em fevereiro, o “primeiro balanço” do relatório preliminar sobre as atividades da comissão no ano passado.
O prazo de encerramento da CPMI está previsto para março, mas Viana defendeu a prorrogação dos trabalhos do grupo por mais 60 dias, por avaliar que a data não é suficiente para analisar os documentos recebidos e ouvir todos os depoentes que ainda são esperados. (Com informações de O Globo)