Quinta-feira, 12 de março de 2026

Patrimônio pessoal do dono do Banco Master quase dobrou em ano que a instituição começou a enfrentar problemas de caixa e ser investigado

Em um único ano, entre 2023 e 2024, o patrimônio pessoal de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master cresceu 87%. Naquele ano, o Master já enfrentava problemas de caixa e a investigação da Polícia Federal (PF) sobre a gestão da instituição financeira já havia começado.

Em 2023 (ou seja, na declaração apresentada no ano seguinte), Vorcaro declarou à Receita Federal em seu Imposto de Renda um patrimônio de R$ 1,417 bilhão de reais. Já a declaração apresentada em 2025 – relativa ao ano fiscal de 2024 – trazia bens que somavam R$ 2,64 bilhões.

Em novembro de 2024, o banqueiro foi chamado pelo Banco Central para ser alertado que tinha 180 dias para resolver os problemas de liquidez e governança da instituição.

Os dados constam de documentos enviados pela Receita à CPMI do INSS.

A declaração de Vorcaro mostra que, em 2023, o banqueiro possuía R$ 237,33 milhões em aplicações de renda fixa no banco do qual era proprietário.

No ano seguinte, – quando o Banco Central já percebia irregularidades na operação de compras de carteiras pelo Banco Master e Vorcaro negociava a venda da instituição para outros bancos –, o banqueiro declarou ter zerado as aplicações em renda fixa que possuía na própria instituição.

Reag

Uma das operações que ampliou o patrimônio de Vorcaro em 2024 foi a venda de uma empresa da qual ele era sócio, a Viking Participações, para fundos geridos pela Reag.

A Viking era a empresa utilizada pelo banqueiro para gerir suas aeronaves. No começo daquele ano, Vorcaro ampliou o capital social da empresa para R$ 100 milhões e depois vendeu as cotas da empresa para os fundos Astralo 95 e Stern – ambos geridos pela Reag – por mais de R$ 500 milhões.

Também alvo da Operação Compliance Zero – a mesma que investiga o Master–, a Reag teria atuado na estruturação e administração de fundos suspeitos de movimentar recursos de forma atípica, inflar resultados e ocultar riscos, com indícios de fraude e lavagem de dinheiro, segundo investigadores.

A empresa do setor financeiro também foi alvo da operação Carbono Oculto, que investiga a máfia dos combustíveis e ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

A gestora foi liquidada pelo Banco Central em janeiro.

Salto

Quando considerado um período maior, iniciado em 2015 – ano fiscal da primeira declaração informada pela Receita à comissão –, o salto nos bens do banqueiro é ainda maior, já que naquele ano o patrimônio declarado no Imposto de Renda foi de R$ 2,86 milhões. Ou seja, no período de 2015 a 2024, o patrimônio de Vorcaro saltou 923 vezes.

Entre os bens declarados pelo banqueiro constam uma fazenda adquirida em Nova Lima (MG) em maio de 2025 por R$ 31 milhões, um apartamento em um bairro nobre de São Paulo (SP) adquirido entre 2021 e 2023 por R$ 56,9 milhões e dois apartamentos em bairro nobre de Belo Horizonte (MG) adquiridos em 2021 por R$ 33 milhões.

Boa parte do patrimônio de Vorcaro declarado em 2025 – R$ 1,6 bilhão – era composto por ações em outras empresas. O banqueiro informou que possuía R$ 963 mil disponíveis em conta corrente de diversos bancos e R$ 250 mil em dinheiro. Além disso, ele declarou ter uma coleção de relógios e obras de arte no valor de R$ 47.283.322,51.

Dívidas

Por outro lado, Voracaro declarou ter uma dívida de R$ 920.602.000,00 em 2024. A maior parte deste valor é em função da aquisição da DV Holding Financeira S/A, que surgiu após compra parcial da Banvox Holding, por R$ 650 milhões.

A Banvox, criada em 2020, tem como proprietário Maurício Quadrado, ex-sócio do Banco Master, e também tinha como sócio Daniel Vorcaro. E, ao longo do primeiro semestre de 2024, a empresa pagou R$ 109 milhões para adquirir ações do Banco Master. Entretanto, em setembro de 2024 houve uma cisão na empresa e Vorcaro saiu da sociedade, fundando a DV Holding e recomprando a sua participação na antiga empresa.

Ainda consta uma dívida de R$ 100 milhões com o empresário baiano, Augusto Lima, ex-CEO do Master e marido da ex-ministra Flávia Arruda. O valor se refere a recompra de ações do Banco Master que eram de Augusto Lima.

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