Sábado, 07 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 6 de fevereiro de 2026
A quantidade de brasileiros que fizeram pedidos para voltar de Portugal de maneira voluntária aumentou 274% no período de um ano. Os dados foram informados pela Polícia de Segurança Pública (PSP).
“Em 2024 regressaram 149 cidadãos brasileiros e em 2025 o número subiu para 556. A subida foi exponencial, na ordem dos 274%”, revelou a PSP. (Cerca de 750 imigrantes no geral retornaram no último ano).
Os pedidos voluntários podem ser feitos sem que haja processo de expulsão com origem em permanência considerada irregular em Portugal. São financiados por fundos europeus:
“Fazem este regresso sozinhos, sem qualquer intervenção das autoridades e são recebidos no país pelos parceiros da reintegração com resposta integrada no acesso aos fundos”.
“Quando solicitam o apoio (…) fazem de forma “voluntária” e não no âmbito de processo que possa ter origem numa permanência irregular”, completou a PSP, acrescentando que muitas famílias pedem ajuda.
Além de atender pedidos de apoio, a PSP faz operações de fiscalização e emite notificações de saída de Portugal que poderiam afetar até os imigrantes em processo de regularização.
Foram verificadas as condições burocráticas de permanência de 33 mil pessoas em 4,3 mil operações no último ano. A PSP deteve 1,3 mil estrangeiros em situação considerada irregular em 2025.
O número de brasileiros detidos não foi divulgado.
Dificuldades econômicas diante do aumento dos custos da moradia e alimentação e a burocracia que impede a regularização poderiam explicar a subida dos pedidos
O programa Árvore de retorno voluntário, da Organização Internacional para as Migrações (OIM), também auxilia imigrantes na volta digna aos países de origem.
Mais de dois mil brasileiros conseguiram ajuda do Árvore para deixar Portugal em quase dez anos.
Os processos voluntários são distintos das medidas de retorno que começaram a ser implementadas em massa no último ano pelo governo de Portugal.
Em 2025, o governo de centro-direita da Aliança Democrática (AD) notificou 18 mil imigrantes, mas aumentou o número para 40 mil no final de junho. Cerca de cinco mil brasileiros foram incluídos.
As notificações resultaram das análises dos pedidos de autorização de residência à agência de imigração (AIMA), que concluiu que os imigrantes não reuniam condições de permanência.
O anúncio da medida do governo foi feito na véspera da campanha eleitoral para o Parlamento em 2025, eleição vencida pela AD.
Liderada pelo primeiro-ministro Luís Montenegro, a coligação absorveu parte da agenda anti-imigração da ultradireita do Chega na disputa pelos votos dos eleitores.
O Chega, de André Ventura, virou segunda força no Parlamento, atrás da AD, e concorre no segundo turno da eleição para presidente, no domingo, com o socialista António José Seguro.
Sem maioria absoluta e dependente do Chega para aprovar projetos que apertam as regras de imigração e cidadania, Montenegro disse que não apoiará nenhum candidato. (Com informações do blog Portugal Giro, do jornal O Globo)