Domingo, 08 de novembro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 8 de novembro de 2026
A ida de Flávio Bolsonaro (PL) aos Estados Unidos dois dias após ser derrotado nas eleições ao Planalto provocou mais críticas do que apoio nas redes sociais. É o que mostra levantamento realizado pela pesquisadora e professora da FGV/EAESP, Lilian Carvalho, especialista em social listening e sócia-fundadora da DigiSales Group.
O caso gerou 471 mil menções nas redes sociais entre 26 e 28 de outubro. Nas manifestações com posicionamento político definido, 60% condenaram o senador. Outras 40% apoiaram sua saída do Brasil ou criticaram o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pela decisão que determinou a entrega do passaporte do bolsonarista.
Os dados mostram que a expressão “fuga de Flávio Bolsonaro” registrou 48 mil menções, contra 25 mil referências à “perseguição política”. O termo “covarde” apareceu 21 mil vezes, enquanto a expressão “7 minutos”, relacionada ao intervalo entre a confirmação da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o pedido de apreensão do passaporte do senador, somou 20 mil menções.
— Essa escolha de palavras também revela como cada grupo tenta impor sua interpretação dos fatos. ‘Fuga’ prevaleceu sobre ‘exílio’ porque um dos lados conseguiu mobilizar mais usuários e fazer sua leitura circular com maior intensidade. Isso ajuda a entender o ambiente político, mas diz pouco, por si só, sobre a opinião dos milhões de brasileiros que votaram — avalia Carvalho.
A pesquisadora pondera, entretanto, que o volume de publicações “pode dar a impressão de uma diferença muito maior entre os lados do que aquela que existe na opinião pública”. Ela avalia que o cenário não permite concluir que a maioria da população compartilha da posição predominante nas redes.
Entre as 20 publicações mais compartilhadas no período, 15 condenavam o senador, três o defendiam e duas apenas informavam sobre o caso. A pesquisa foi feita a partir de dados monitorados pela plataforma Brandwatch. Além do quantitativo numérico, o levantamento identificou diferenças na forma como o campo bolsonarista e governista abordaram o episódio.
As manifestações críticas combinaram ironias e ataques pessoais à Flávio. Não faltaram cobranças institucionais, como pedidos de perda de mandato e bloqueio de bens. Os posts favoráveis ao bolsonarista, por outro lado, apostam em questionamentos sobre o momento da decisão judicial e críticas a Moraes.
Trajetória da fuga
O governo argentino informou na madrugada que Flávio entrou no país às 22h50 de terça-feira pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu, no Paraná, a Puerto Iguázu, na província argentina de Missiones. O senador entrou na Argentina usando o passaporte italiano.
De lá, embarcou em um jatinho rumo a Guayaquill. Já no Equador, decolou às 6h22, no horário de Brasília, com destino ao aeroporto Opa Locka, um terminal executivo no condado de Miami-Dade. O bolsonarista chegou aos Estados Unidos nesta manhã, às 10h24.
Flávio teve os passaportes cancelados por decisão de Moraes, a pedido da Polícia Federal (PF), que alegava risco de fuga no curso das investigações a que o bolsonarista responde. Ele descumpriu a decisão e não entregou os documentos no prazo determinado. (Com informações do portal O Globo)