Segunda-feira, 11 de maio de 2026

Péter Magyar toma posse como novo primeiro-ministro da Hungria

O novo primeiro-ministro da Hungria tomou posse nesse sábado (9) em Budapeste, dando início a uma nova era política após 16 anos de governo autocrático de Viktor Orbán. Milhares de pessoas se reuniram em frente ao Parlamento para acompanhar.

O partido de centro-direita de Magyar, Tisza, derrotou o Fidesz, partido nacional-populista de Orbán, em uma vitória surpreendente no mês passado, conquistando mais votos e cadeiras no parlamento do que qualquer outro partido na história da Hungria pós-comunista.

A vitória, que deu ao Tisza uma maioria de dois terços no Parlamento, permitirá que o partido reverta muitas das políticas que deram a Orbán a reputação de autoritário de extrema direita entre seus críticos.

Em um discurso para dezenas de milhares de apoiadores numa praça em frente ao prédio do Parlamento após a posse, o novo primeiro-ministro disse: “Hoje, toda pessoa que ama a liberdade no mundo gostaria de ser um pouco húngara”.

“Vocês ensinaram ao país e ao mundo que são as pessoas mais comuns, de carne e osso, que podem derrotar a tirania mais cruel”, disse Magyar sob fortes aplausos.

Como novo líder da Hungria, Magyar prometeu restaurar as instituições democráticas e os mecanismos de controle e equilíbrio governamentais, que foram fortemente corroídos durante o governo de Orbán, e reprimir a alegada corrupção.

Espera-se que seu governo transforme a dinâmica política dentro da União Europeia (UE), onde o ex-primeiro-ministro havia abalado o bloco ao vetar frequentemente decisões importantes, mais recentemente em relação ao apoio à vizinha Ucrânia.

Parlamento sem Orbán

Magyar entrou sábado no extenso prédio neogótico do Parlamento acompanhado por 140 representantes Tisza, fundado por ele em 2024.

O Tisza agora controla 141 das 199 cadeiras do Parlamento húngaro. A coligação Fidesz-KDNP de Orbán controla 52 cadeiras, contra 135 anteriormente, enquanto o partido de extrema direita Mi Hazánk (Nossa Pátria) detém seis cadeiras.

Os 199 representantes tomaram posse por volta das 11h. Orbán não estava entre eles pela primeira vez desde a formação do Parlamento húngaro inicial do pós-comunismo, em 1990.

Magyar havia convocado os húngaros para uma celebração de um dia inteiro na Praça Kossuth, em frente ao Parlamento, para marcar sua posse e o fim da era Orbán. Muitos dos presentes agitavam bandeiras húngaras e da União Europeia e vestiam camisetas do Tisza.

Em seu discurso, Magyar transmitiu uma mensagem de unidade e prometeu ajudar a curar as profundas divisões sociais que, segundo ele, o governo de Orbán havia semeado.

“Hoje é a concretização da longa jornada que percorremos juntos nos últimos anos, a concretização da crença comum de que a Hungria é capaz de se reerguer, de acreditar em si mesma e de ser, mais uma vez, uma pátria comum para todos os húngaros”, disse ele.

A nova Assembleia Nacional da Hungria tem 54 parlamentares mulheres, a maioria do partido Tisza – mais de um quarto do total e o maior número na história da Hungria.

Uma delas, Andrea Szepesi, economista de Budapeste, disse que “já era hora” de mais mulheres ocuparem cadeiras no parlamento. Sob o governo de Orbán, havia menos mulheres no governo do que em quase todos os outros 26 países da UE.

“Finalmente, as mulheres podem participar deste novo e belo sistema democrático e do florescimento do país”, disse Szepesi à Associated Press.

Relações com a UE

Magyar prometeu reparar os laços do seu país com a UE, que Orbán havia levado ao limite, e restaurar o lugar da Hungria entre as democracias ocidentais, cuja posição havia sido questionada à medida que Orbán se aproximava cada vez mais da Rússia.

A bandeira da União Europeia foi hasteada na fachada do edifício do parlamento na tarde de sábado, pela primeira vez desde que o governo Orbán a removeu em 2014.

Entre as principais prioridades do novo primeiro-ministro está o desbloqueio de cerca de 17 bilhões de euros em fundos da UE para a Hungria, congelados durante o mandato de Orbán devido a preocupações com o Estado de Direito e a corrupção. O dinheiro é extremamente necessário para ajudar a impulsionar a economia húngara, que está estagnada há quatro anos.

Outro participante da celebração, o webdesigner Áron Farsang, de 27 anos, disse esperar que o novo governo Tisza restaure as instituições democráticas da Hungria e nos “conduza de volta à Europa”. (Com informações do g1 e O Estado de S. Paulo)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Mundo

Invasão de Cuba pelos Estados Unidos seria erro militar histórico, diz ex-conselheiro da Casa Branca
Pode te interessar
Baixe o app da TV Pampa App Store Google Play