Sexta-feira, 19 de agosto de 2022

Petrobras anuncia redução no preço do diesel

A partir desta sexta-feira (5), o preço médio de diesel vendido pela Petrobras será reduzido em R$ 0,20 por litro, de R$ 5,61 para R$ 5,41. É uma queda de 3,56%. Esta é a primeira vez que o preço do produto é reduzido desde que o novo presidente da estatal, Caio Paes de Andrade, assumiu o comando da empresa. Desde maio do ano passado, o preço só era reajustado para cima.

O Palácio do Planalto e integrantes do governo federal, especialmente a Casa Civil, vinham pressionando a Petrobras para reduzir o preço do óleo diesel, de acordo com fontes do Executivo, após a empresa ter mexido nos valores da gasolina duas vezes. Nas últimas semanas, a cotação do petróleo no mercado internacional vem recuando, após forte alta no início do ano por causa da guerra na Ucrânia.

Em meio ao temor de uma recessão nos Estados Unidos e diante de uma forte desaceleração no crescimento econômico global, o preço do barril do tipo brent recuou do patamar de US$ 120 no início de junho para próximo de US$ 95 agora. É uma queda de quase 21% em dois meses.

Segundo a Petrobras, o reajuste acompanha a evolução dos preços de referência, ou seja, da cotações no mercado internacional, que se estabilizaram num “patamar inferior”.

Em nota, a empresa afirma que a decisão “é coerente com a prática de preços da Petrobras, que busca o equilíbrio dos seus preços com o mercado global, mas sem o repasse para os preços internos da volatilidade conjuntural das cotações internacionais e da taxa de câmbio”.

“Considerando a mistura obrigatória de 90% de diesel A e 10% de biodiesel para a composição do diesel comercializado nos postos, a parcela da Petrobras no preço ao consumidor passará de R$ 5,05, em média, para R$ 4,87 a cada litro vendido na bomba”, informou a estatal.

Na semana passada, a Petrobras anunciou redução nos preços da gasolina e dos combustíveis de aviação. Informou ainda o pagamento recorde de dividendos para um trimestre.

Reações diversas 

A redução do diesel gerou reações diversas na altas administração da companhia. Uma parte considerou a queda correta e técnica por conta do preço do petróleo, mas outro grupo afirma que o recuo não obedeceu os parâmetros de volatilidade e da política de preços.

Uma das fontes classificou a decisão de “interferência política”.

Na última semana, durante evento de divulgação de resultados, Cláudio Mastella, diretor de Comercialização e Logística da Petrobras, disse que a companhia ainda via o cenário do fornecimento de diesel com “cautela” e de “manutenção de preços elevados parecidos com os atuais”.

Sergio Araujo, presidente da Abicom, associação que reúne os importadores, a redução também foi correta. Para ele, apesar da volatilidade, o risco de uma recessão global vem reduzindo os preços do petróleo e de derivados mundo afora.

Segundo ele, o recuo no preço do diesel não deve gerar aumento do consumo ou elevar o risco de desabastecimento:

“Diferente da gasolina, o preço não afeta o consumo do diesel, pois quem consome precisa consumir independente do preço. Ou seja, não há muita elasticidade nesse sentido”, afirma Araujo.

De acordo com a Abicom, o preço do diesel vendido no Brasil estava acima do mercado internacional desde o dia 19 de julho. Chegou a custar R$ 0,51 a mais no País que no exterior na última terça (2).

A gasolina, embora tenha tido uma redução na refinaria na semana passada, ainda está mais cara que no exterior. “Por isso, não descarto uma nova queda na gasolina”, afirma Araujo.

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