Segunda-feira, 02 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 2 de março de 2026
Na semana passada foram publicadas algumas pesquisas revelando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está estagnado ou em queda e Flávio Bolsonaro, filho do ex-chefe do Executivo Jair Bolsonaro, crescendo. O governo naturalmente se preocupou. Mas se isso era a novidade da pesquisa, outro item divulgado era uma repetição de uma dor de cabeça constante para o Palácio do Planalto: a rejeição a Lula entre os evangélicos manteve-se em patamares altos. O governo trabalha hoje com uma certeza em relação à eleição de 2026: o calcanhar de Aquiles de Lula continua sendo os evangélicos.
Na quinta-feira (5) desta semana, uma nova rodada de pesquisas do Datafolha será divulgada. Entre os assessores de Lula, ninguém duvida da manutenção deste quadro. Ainda mais depois do desfile da Acadêmicos de Niterói no sambódromo, no carnaval do Rio de Janeiro, que foi tido como desastroso pelo ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Sidônio Palmeira, e por integrantes da alta cúpula do PT: um motivo para deteriorar ainda mais a já atritada relação de Lula com os evangélicos.
Essa é uma vulnerabilidade resistente que o governo não consegue superar. Já se apresentava assim na eleição de 2022 e manteve-se praticamente intocada nos últimos quatro anos.
Os evangélicos representam 26,9% dos brasileiros, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mas têm capacidade de mobilização superior a esse percentual.
Aos números: na última pesquisa Quaest, de fevereiro, 61% dos evangélicos declararam desaprovar o governo, contra 34% que aprovavam. Em abril de 2023, meses depois de o Lula 3 ter se iniciado, a mesma Quaest apurou que 55% desaprovavam e 44% aprovavam.
Apesar de diversas tentativas de aproximação do PT, o resultado é frustrante para o partido e para Lula. Vários acenos foram feitos:
* Líderes evangélicos, como os bispos Manoel Ferreira e Samuel Ferreira, líderes da Assembleia de Deus, já foram recebidos por Lula.
* Lula fez uma grande cerimônia no Palácio do Planalto quando sancionou o Dia Nacional do Gospel, com pastores orando.
Indicou o evangélico Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Em quatro anos, o PT e o governo não conseguiram a fórmula de diminuir a rejeição. Mas ela é vital para a vitória de Lula em outubro. (Com informações do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo)