Sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 15 de janeiro de 2026
O atual momento político que o nosso país, infelizmente, vivencia novamente me remeteu a momentos que assisti como trabalhador e depois com participante de movimento sindical como associado e após como dirigente. No primeiro foi ainda quando vivíamos sob a ditadura militar.
Me lembro de nossos encontros no Sticc que ficávamos nos questionando sob como tínhamos pluripartidarismo, já em 1983 e o país era presidido por um militar? Como trabalhadores esse nem era nosso principal tema de debate, mas o que vivíamos naquela década de 80 que ficou conhecida como a “década perdida” e o nosso anseio era pela volta da democracia.
Esse componente nos levou as ruas ao longo de 1983 e nos primeiros meses de 1984, para gritar por “Diretas Já!”. Jamais vou me esquecer das manifestações que ocorreram na Candelária, no Rio de Janeiro, onde se reuniram mais de 1 milhão de pessoas, e na Praça da Sé, em São Paulo, com a presença de 1,5 milhão.
Lideravam esse movimento algumas das mais importantes lideranças políticas do país – e que fazem muita falta hoje – como Tancredo Neves, Ulysses Guimarães, Fernando Henrique Cardoso, Pedro Simon e muitos líderes sindicais. A classe artística também se fez presente, com o apoio de Milton Nascimento, Fafá de Belém, Chico Buarque, Martinho da Vila e outros.
Também lembro que foi apresentada uma proposta de emenda constitucional (por Dante de Oliveira que visava restabelecer as eleições diretas para Presidente da República no Brasil. Ela foi rejeitada pela Câmara dos Deputados, em abril de 1984. Apenas 298 foram favoráveis, de modo que faltaram 22 votos. O número de abstenções foi alto, 112, o que foi atribuído a uma manobra do governo militar.
Faço essa contextualização para lembrar dessa página escura que vivenciamos e propor uma reflexão sob o quanto podemos estar vivenciando uma nova página. Não escura, mas, tão danosa quanto aquela. Aliás nem começou pós surgimento do governo Bolsonaro. Foi antes. No governo Temer. Foi nele que a polarização política no Brasil criou um cenário onde adversários políticos se tornaram “inimigos”.
Foi marcado pela radicalização. Pelo enfraquecimento da força trabalhadora e de sua representatividade. Embora Temer tenha afirmado que a polarização é essencial para a democracia e que buscava a pacificação, o período de seu governo foi marcado por uma crescente radicalização.
Pós Temer emergem de mares escuros o que eu chamo de falsos liberais. Sim falsos. Pois, defendem liberdade econômica. Por outro lado, não respeitam outros direitos de liberdade como gênero, religião ou outros costumes. Não podemos acreditar em pessoas com representação pública que pensam e praticam isso. Políticos que têm pouco apreço às normas democráticas e às limitações de poder. Nunca.
Devemos pensar muito sobre isso esse ano antes de irmos para as urnas. Devemos lembrar que a polarização cresce absurdamente e é promovida por aqueles que se favorecem dela. Políticos, partidos e grupos mais extremistas se alimentam do descontentamento e da intolerância para ganhar mais apoio a suas ideias.
Não podemos acreditar e ou apoiar a ideia de que o mundo é uma briga entre o bem e o mal. Pesquisar, conhecer, ouvir, discernir separando o joio do trigo entre aqueles candidatos que vão definir com que regras vamos viver. Escolher aqueles que buscam construir uma sociedade melhor. Para todos.
Não para apenas alguns como foi o caso que emergiu nos últimos dias trazendo à tona o fato de um candidato a presidente e outro a governador terem recebido, no total, 5 milhões de reais do cunhado do presidente do Banco Master e o mesmo certamente movido por “interesses” tendo sido o sexto maior doador pessoa física das campanhas em 2022. Porque será?
Mas, não vamos perder a esperança! A solução não é tão complexa quanto pode parecer. Precisamos conhecer, participar e contribuir com homens públicos e políticos que tenham proposições concretas para solucionar temas muito caros para nossa população menos favorecida. Saúde, educação e que tenham ações concretas na construção de caminhos em prol mobilidade social. A pauta é antiga sim. Em outubro vamos dizer chega de lero, lero! Esse programa nós já vimos. A praça é nossa! Sem Rolandos Lero. O voto é nosso!
*Gelson Santana.