Terça-feira, 31 de março de 2026

Polícia Civil gaúcha deflagra operação contra uso de drones a serviço de presidiários

O desmantelamento de uma organização criminosa especializada no uso de drones para fornecimento de armas, drogas e celulares em presídios gaúchos mobilizou agentes da Polícia Civil gaúcha desde as primeiras horas dessa terça-feira (31). A operação teve como saldo quatro prisões preventivas e o cumprimento de oito ordens judiciais de busca e apreensão em seis cidades da Região Metropolitana de Porto Alegre.

Denominada “Ícaro”, a ofensiva percorreu endereços em Canoas, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Sapucaia do Sul, Gravataí e Eldorado do Sul. Foram recolhidos veículos, computadores e telefones.

Na origem da investigação está um flagrante registrado na madrugada de 26 de outubro de 2024, em área de mata fechada ao redor do Complexo Prisional de Canoas. Um suspeito foi detido na ocasião com um drone e pacotes de produtos ilegais ou proibidos no ambiente carcerário. O operador conseguiu fugir, mas um recibo de compra do equipamento indicou sua identidade e envolvimento.

O primeiro suspeito confessou sua atuação em atividades de suporte no solo, recebendo a cada investida uma quantia de R$ 400 via pix. Também detalhou tratar-se de um esquema profissional e itinerante, com base na mudança constante de local.

Segundo ele, o uso de modelos potentes e silenciosos para o transporte de até meio quilo de artigos por voo já beneficiou detentos de penitenciárias em ao menos quatro municípios. Na lista constam Sapucaia do Sul, Charqueadas, Montenegro e Bento Gonçalves.

“O grupo criminoso atuava em uma espécie de ‘terceirização do crime’, oferecendo serviços a organizações criminosas, beneficiando inclusive um detento de alta periculosidade e que atua como líder operacional de uma organização criminosa do Vale do Sinos”, relata a Polícia Civil. “De dentro da cela, ele coordenava tudo por meio do celular.”

Seus subalternos no esquema atuam em atividades de apoio (a companheira do líder montava malotes e pagava despesas, como motos para transportadores) e operacionais (pilotagem e logística no perímetro prisional). A Delegada Luciane Bertoletti, titular da 3ª Delegacia de Polícia Civil de Canoas, questiona:

“Se mais de 40 drones foram interceptados em um curto período, quantos milhares de quilos de entorpecentes e armas já não chegaram com sucesso a detentos?”. Ela relaciona o esquema inclusive ao aumento da violência interna em presídios gaúchos, incluindo um homicídio por arma-de-fogo dentro desse tipo de ambiente, no ano passado.

Na mesma linha, o diretor da 2º Delegacia de Polícia da Região Metropolitana (DPRM), delegado Cristiano Reschke, acrescenta: “Drones acabaram virando uma ferramenta frequente e segura para o crime, desafiando a vigilância tradicional com tecnologia avançada”.

(Marcello Campos)

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