Sexta-feira, 06 de março de 2026

Polícia dos Estados Unidos mata brasileiro com quatro tiros após família pedir ajuda a serviço de saúde mental

Um brasileiro de 34 anos, nascido em Belo Horizonte (MG), foi morto pela polícia dos Estados Unidos após levar quatro tiros durante atendimento de uma ocorrência relacionada a uma crise de saúde mental em Powder Springs, no estado da Geórgia (EUA), na noite de terça-feira (10). Segundo portais de notícias dos EUA, Gustavo Guimarães sacou uma arma aos policiais, que reagiram com os disparos. A família nega a versão divulgada pelos oficiais.

“Concordo que a polícia deve agir quando ameaças perigosas colocam em risco suas vidas e a segurança de outras pessoas, mas essa narrativa não mostra o quadro completo e é imprecisa. Gus não tinha uma arma. Ele não é imigrante. Ele é cidadão dos Estados Unidos”, disse em entrevista um familiar, que pediu para não ser identificado.

O caso aconteceu no estacionamento de um centro comercial onde funciona um supermercado da rede Publix e está sob investigação do Departamento de Investigação da Geórgia (GBI). Gustavo possuía dupla nacionalidade e morava no país há cerca de 20 anos.

De acordo com a polícia local, agentes foram chamados por volta das 21h para atender a uma ocorrência envolvendo uma pessoa em possível surto psicótico no estacionamento localizado na New MacLand Road. Ao chegar ao local, os oficiais fizeram contato com o homem, morador da cidade de Acworth.

Durante a abordagem, cerca de uma hora após o início da ocorrência, Guimarães teria sacado uma arma de fogo, divulgou a mídia americana. Diante da situação, cerca de sete policiais abriram fogo e atingiram o homem quatro vezes: três no peito e uma na nuca. Ele foi socorrido e levado a um hospital da região, mas não resistiu aos ferimentos.

Segundo a família, o homem tinha sintomas que poderiam indicar uma esquizofrenia, mas nunca foi violento e se posicionava contra o armamentismo. Ele estava com a mãe no estacionamento do supermercado até a chegada da polícia e não possuía nenhum diagnóstico prévio de transtorno mental.

Na semana em que foi morto, Gustavo havia dito à família que aceitava buscar ajuda psicológica, o que levou a mãe a acionar o 988 — linha telefônica de apoio a pessoas em crise de saúde mental. Após a ligação, duas profissionais de saúde teriam encontrado com o mineiro no estacionamento do supermercado para avaliá-lo. Os policiais chegaram cerca de trinta minutos depois.

Uma ambulância também chegou ao local e levou a mãe do homem para um hospital na região, uma vez que ela apresentava sinais de ansiedade devido à crise do filho, teve uma queda de pressão e possui histórico de problemas cardíacos.

“Ele nunca foi agressivo, mas acreditava estar sempre sendo perseguido e tinha dificuldades de encontrar um emprego, o que nos fazia acreditar que ele apresentava sinais de esquizofrenia. Quando as profissionais conversavam com ele, ele estava bem, lúcido, conversando normalmente. Ele só entrou em surto quando a polícia chegou, justamente por medo de ser capturado por policiais. A mãe não queria sair de perto do filho, mas quando ela foi levada ao hospital, o Gustavo foi morto”, relatou um familiar.

O corpo de Gustavo foi reconhecido por um irmão e ainda não foi liberado para o funeral.

“Essa foi uma ligação para o 988 que deu muito errado, e a história completa não está sendo retratada. Somos sensíveis aos policiais que precisaram atender a essa ocorrência naquela noite e ao que eles podem estar enfrentando após a situação, e estamos rezando pelo estresse que possam estar vivendo. No entanto, todos nós estamos no meio disso, com poucas informações e muita desinformação” declarou outro parente do mineiro.

Nenhum policial ou civil ficou ferido na ação, segundo as autoridades. A investigação foi assumida pelo GBI, procedimento padrão em casos de mortes decorrentes de intervenção policial no estado da Geórgia. Após a conclusão do inquérito, o material será encaminhado ao gabinete do promotor do condado de Cobb, que decidirá se haverá ou não responsabilização criminal. (Com informações do jornal O Globo)

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