Quinta-feira, 05 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 5 de março de 2026
A Polícia Federal (PF) abriu inquérito nesta quinta-feira (5) para apurar a circunstância da custódia de Luiz Philipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário” de Vorcaro, um dos presos na Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta (4). Conforme a nota divulgada nesta quarta pela instituição, ele “atentou contra a própria vida enquanto se encontrava sob custódia da instituição na Superintendência Regional da Polícia Federal em Minas Gerais”.
A informação é do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, que afirmou que “toda a ação dele e o atendimento pelos policiais estão filmados sem pontos cegos”. A Polícia Federal disse que comunicou o ocorrido ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), e entregará todos os registros em vídeo que demonstram a dinâmica do ocorrido.
* Historicamente, o termo “sicário” evoca a ideia de um instrumento a serviço de um poder maior — alguém que age nas sombras para que o centro permaneça intocado.
A defesa de “Sicário” disse, em nota, nesta quarta, que “esteve pessoalmente com ele durante o dia, até por volta das 14h, quando ele se encontrava em plena integridade física e mental”. Ainda segundo os advogados, a informação sobre o incidente foi conhecida após a nota de esclarecimento emitida pela Polícia Federal.
A defesa acrescentou que “acompanha os fatos e se encontra no Hospital João XXIII. Porém, até este momento, não há qualquer confirmação sobre o estado de saúde de Luiz Phillipi”. “Sicário” foi preso na Operação Compliance Zero, que investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master.
Também foi preso na mesma operação Daniel Vorcaro, banqueiro apontado como chefe da organização criminosa estruturada em diferentes núcleos.
As investigações apontam que Sicário tinha papel central na organização criminosa e executava ordens de monitoramento de alvos, extração ilegal de dados em sistemas sigilosos e ações de intimidação física e moral.
Os investigadores mencionam também uma “dinâmica violenta evidenciada pelas conversas entre Vorcaro e Mourão”, e indica que ele atuaria como ‘longa manus’ (expressão do contexto jurídico que indica um agente que atua em nome de outro) da prática das práticas violentas atribuídas à organização. O relatório fala, ainda, da existência de fortes indícios de que Mourão recebia a quantia de 1 milhão de reais por mês de Vorcaro como remuneração pelos “serviços ilícitos”.
As mensagens mostram Mourão informando que monitorava um ex-funcionário e se oferecendo para usar “A Turma” para intimidar pessoas, incluindo um funcionário que teria feito uma gravação indesejada envolvendo Vorcaro. Há troca de dados pessoais dos alvos, e Vorcaro orienta levantar informações sobre um funcionário e um chefe de cozinha, sugerindo intimidar um deles para assustar o outro. “O bom de dar sacode no chef de cozinha primeiro. O outro já vai assustar”, diz um dos trechos. (Com informações do portal g1)