Quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 25 de fevereiro de 2026
A Polícia Federal (PF) apreendeu nesta semana um jatinho pertencente ao deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG), em um desdobramento da Operação Sem Desconto, que investiga descontos ilegais nas aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A informação foi confirmada ao Estadão por fontes da própria PF.
Em nota, o deputado afirmou que a “aeronave em questão foi adquirida em momento anterior aos fatos investigados, com recursos próprios e de origem comprovadamente lícita”.
Ele disse ainda que o “bloqueio atualmente vigente, o qual alcança, de forma indistinta, a totalidade dos meus bens, constitui medida cautelar prevista em lei, de caráter temporário, e não representa (e nem poderia) qualquer juízo sobre o mérito das investigações”.
Em uma conversa com o Estadão, Pettersen disse que, além da aeronave, também foram alvo de medidas judiciais uma fazenda e um carro que, segundo ele, também teriam sido comprados em período anterior aos fatos investigados. “Por fim, reafirmo minha inocência e a certeza de que, oportunamente, os fatos serão elucidados de forma definitiva”, concluiu ele.
Pettersen, que é presidente do Republicanos em Minas Gerais, foi alvo da Operação Sem Desconto em novembro, quando sofreu mandado de busca e apreensão. De acordo com a investigação, ele recebia propina para proteger politicamente a Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), uma das entidades envolvidas nos descontos indevidos nas aposentadorias.
A PF encontrou planilhas e mensagens sobre pagamentos a políticos e diretores do INSS com o operador financeiro da Conafer, Cícero Marcelino, e o presidente da entidade, Carlos Roberto Lopes.
Segundo a investigação, o deputado Pettersen teria recebido cerca de R$ 14 milhões de propina, com o objetivo de blindar a entidade de investigações e influenciar no INSS. Ele era, de acordo com a PF, “a pessoa melhor paga na lista de propina”.
Os investigadores disseram ainda que Pettersen era “figura essencial ao esquema” pois fazia a ponte entre o presidente da Conafer, Carlos Roberto, e pessoas que tinham influência na indicação de nomes para a presidência do INSS.
“O Deputado Federal por Minas Gerais Euclydes Marcos Pettersen Neto é denominado ‘Herói E’ nas planilhas apreendidas pela PF. Consta dos autos que recebia valores mensais fixos, repassados por meio das empresas controladas por Cícero Marcelino de Souza Santos”, diz trecho da investigação.
“A análise de dados bancários revelou repasses sucessivos a empresas e pessoas ligadas ao parlamentar, coincidindo com os períodos de liberação de lotes de pagamentos da autarquia ao convênio. Referido parlamentar teria recebido ao menos R$ 14.700.000,00, mediante transferências fracionadas (“smurfing”) para empresas como a FORTUNA LOTERIAS e CONSTRUTORA V L H LTDA”, prossegue a investigação. (Com informações de O Estado de S. Paulo)