Quinta-feira, 19 de março de 2026

Polícia Federal apura se desvio do INSS abasteceu agência de viagens usada por Lulinha

A Polícia Federal (PF) investiga se recursos provenientes do desvio de aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) tiveram como beneficiário final uma agência de viagens usada por Fábio Luís Lula da Silva, o filho mais velho do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O caminho do dinheiro foi detectado na análise das transferências bancárias do empresário Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, preso pela PF por suspeita de comandar um esquema bilionário de desvios nas aposentadorias, para a empresária Roberta Luchsinger, amiga próxima de Lulinha, e outras transações feitas em seguida.

Procurada, a defesa de Lulinha afirmou que essa agência é responsável por emitir todas as viagens da empresária Roberta Luchsinger e da família dela e que as afirmações da PF seriam mais uma tentativa “indevida” de incriminar o filho do presidente. Disse ainda que Lulinha se colocou à disposição do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça para prestar esclarecimentos e reiterou não ter relação direta nem indireta com os fatos investigados sobre o INSS.

As informações estão descritas em um relatório de análise da PF sobre a movimentação financeira. Esses fatos ainda são considerados preliminares e estão sob apuração a partir da quebra de sigilo bancário de todos os personagens envolvidos, incluindo Lulinha. Os indícios deverão ser aprofundados com outros elementos de prova. A PF ainda não identificou, por exemplo, quantos voos teriam sido pagos a Lulinha por meio da agência de Roberta e nem as datas desses voos.

A PF identificou que, no mesmo período em que Roberta recebeu ao menos R$ 1,1 milhão do Careca do INSS, ela pagou R$ 640 mil para uma agência de viagens que, de acordo com a PF, era usada por Lulinha. O contato dessa agência, a Vulcano Viagens, consta vinculado ao cadastro de Lulinha no sistema de tráfego aéreo da PF, o que demonstra que já foram emitidos bilhetes aéreos para ele com o cadastro do e-mail da agência.

Na análise dos investigadores, essa movimentação financeira corrobora o depoimento prestado por Edson Claro, um ex-funcionário do Careca do INSS que afirmou ter ouvido dizer que o empresário pagava uma mesada a Lulinha e bancou despesas de viagens do filho do ex-presidente. Na quebra de sigilo bancário de Lulinha, não aparecem registros diretos de pagamentos do Careca do INSS, mas a suspeita dos investigadores é que os repasses ocorriam por meio de Roberta.

A defesa de Roberta Luchsinger afirmou que a Vulcano é a agência de viagens usada por ela e afirmou ser “natural” que ela possa eventualmente ter emitido passagens para Lulinha, mas que o deslocamento para Portugal alvo da investigação não foi pago por ela. Afirmou ainda que os valores pagos a ela pelo Careca do INSS são “ínfimos” diante dos outros recebimentos dela e que não faria sentido que ela repassasse uma mesada a Lulinha por meio de pagamento de viagens. A defesa do Careca do INSS não se manifestou.

O documento da PF afirma que o dono da agência de viagens, Daniel Peluso, apareceu em um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) como beneficiário dos pagamentos de Roberta.

“Nos dados contidos no RIF, DANIEL foi beneficiário da quantia de R$ 641.640,00 provenientes da empresa de ROBERTA, a RL CONSULTORIA, sendo mister que durante depoimento, EDSON CLARO afirmou que as despesas de viagem de ROBERTA e LULINHA seriam pagos por ANTONIO CAMILO ANTUNES, portanto, contraparte de alto interesse investigativo”, diz o relatório.

A PF destaca que os pagamentos ocorreram com recursos recebidos do Careca do INSS e em um período no qual se operavam os desvios nas aposentadorias. “Os pagamentos eram realizados pela RL CONSULTORIA , com recursos recebidos do investigado, durante as fraudes bilionárias dos descontos associativos do INSS, com destaque para o fato do e-mail de DANIEL PELUSO (…) estar vinculado aos dados cadastrais de LULINHA em trechos de viagens nacionais e internacionais”, diz o relatório. (Com informações do jornal O Estado de S. Paulo)

 

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Política

Brasil registra menor taxa de mortalidade infantil em 34 anos
Pode te interessar
Baixe o app da TV Pampa App Store Google Play