Segunda-feira, 08 de junho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 8 de junho de 2026
Os investigadores da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República (PGR) devem decidir nesta semana se rejeitam a nova proposta de delação premiada apresentada na semana passada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do liquidado Banco Master.
A análise do material entregue ainda está sendo finalizada. De acordo com pessoas que acompanham o caso, a tendência neste momento é de que a equipe da PF recuse pela segunda vez a proposta, por entender que as informações apresentadas não trazem novidades relevantes à investigação além do que já foi encontrado nos celulares apreendidos.
Interlocutores da defesa do banqueiro, porém, têm a expectativa de que a PGR poderia dar prosseguimento à negociação caso a PF recuse o acordo, como ocorreu da primeira vez, no mês passado.
Nova investida
A nova tentativa de delação foi costurada pelo advogado Sérgio Leonardo, que substituiu o criminalista José Luís de Oliveira Lima no comando das tratativas. A proposta incluiu novos temas e personagens que ficaram de fora do primeiro texto.
Vorcaro deu mais detalhes sobre seu relacionamento com políticos e abordou, por exemplo, irregularidades na captação de recursos da previdência de servidores municipais e estaduais para o Banco Master.
A avaliação de pessoas que acompanham o assunto, porém, é de que Vorcaro continua resistendo a admitir o cometimento de crimes e usa a proposta de delação para apresentar justificativas sobre pagamentos e repasses a políticos.
O celular de Vorcaro apreendido na primeira fase da Operação Compliance Zero já trouxe uma quantidade muito grande de provas e, para os investigadores, a delação não apresenta novos elementos além disso. Por isso, na avaliação deles, não seria justificável assinar um acordo com um dos suspeitos de liderar uma organização criminosa para praticar crimes financeiros superiores a R$ 50 bilhões.
A primeira tentativa
Na primeira tentativa, foi a PGR quem resolveu dar um novo prazo para que a defesa do banqueiro complementasse a proposta e entregasse um novo texto da delação premiada. A equipe do procurador-geral da República, Paulo Gonet, ainda não fechou uma avaliação sobre a segunda proposta apresentada.
Como mostrou o Estadão, Vorcaro chegou a dizer aos advogados durante a construção da delação premiada que fez pagamentos a políticos por causa de sua relação de “amizade” com eles e admitiu que buscava “ganhar tempo” com a negociação do acordo, enquanto conseguiu se manter em uma cela especial na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.
A permanência dele por quase três meses na carceragem da Superintendência da PF também tem irritado os investigadores, por causa do movimento frequente de advogados e visitas de familiares. Essa carceragem costuma servir apenas como local de passagem para o sistema penitenciário.
Por isso, a PF já havia pedido ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso na Corte, a transferência de Vorcaro para um presídio. Caso a delação seja novamente recusada, a PF deve insistir para que ele seja retirado do local.
Vorcaro está preso desde 4 de março, por ordem de Mendonça. Ele há havia sido detido em novembro, quando tentava sair do País – mas foi solto após 11 dias. O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central e é investigado pelas autoridades por fraudes bilionárias no sistema financeiro – incluindo operações com o Banco de Brasília (BRB), a quem vendeu R$ 12,2 bilhões em créditos podres.
Os investigadores da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República (PGR) passaram os últimos dias analisando o material e pretendem dar uma resposta aos advogados sobre a delação nesta semana. A PF tem se posicionado de maneira mais enfática contra o acordo de colaboração premiada de Vorcaro.
(Com O Estado de S.Paulo)