Sábado, 10 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 9 de janeiro de 2026
A Polícia Federal (PF) tem indícios de que o banqueiro Daniel Vorcaro pode estar por trás de ações virtuais de influenciadores para defender o Banco Master, atacar autoridades públicas e, até mesmo, criticar jornalistas.
Na análise inicial que os investigadores estão realizando no telefone celular do banqueiro – apreendido em 17 de novembro, no momento de sua prisão durante a Operação Compliance Zero –, foram encontrados diálogos em que Vorcaro ordenava a realização desse tipo de ação. A defesa do banqueiro não se manifestou.
As informações colhidas pela PF são anteriores à liquidação do Master pelo Banco Central (BC), que aconteceu um dia depois da prisão de Vorcaro. Mas, na época, já havia alguns ataques virtuais ao BC por causa da demora na análise de proposta de venda de fatia do Master para o Banco de Brasília (BRB), administrado pelo governo do Distrito Federal. Essa operação acabou sendo vetada pelo BC no início de setembro.
De acordo com pessoas que têm conhecimento do assunto, Vorcaro repassava as ordens a auxiliares que não trabalham diretamente no quadro do Master. Ele pedia a promoção de informações positivas sobre o banco e determinava ataques virtuais a pessoas públicas que, na sua avaliação, estavam supostamente atuando contra o Master.
Ainda de acordo com essa análise preliminar, o modo de atuação de Vorcaro se assemelha aos novos ataques registrados na virada do ano.
Como mostrou o Estadão/Broadcast, instituições e autoridades envolvidas na liquidação do Master foram alvo de críticas coordenadas nas redes sociais pouco antes da virada do ano. A ofensiva, concentrada em um período de 36 horas, utilizou contas conhecidas por promover celebridades para questionar a credibilidade de órgãos como o BC e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban).
O Estadão obteve cópia de um contrato oferecido por agências para que influenciadores promovessem conteúdo contra o BC. O documento citava um “projeto DV”, iniciais do empresário, e previsão de multa de R$ 800 mil por quebra do sigilo.
A PF já está fazendo também uma análise inicial de informações para produzir um relatório consolidado sobre esses ataques. A partir desse documento, o órgão vai avaliar se já existem suspeitas de crimes que justifiquem a instauração de um inquérito policial.
Atualmente, a PF já conduz um inquérito para apurar suspeitas de crimes financeiros na operação que pretendia vender parte do Master para o BRB. Essa outra investigação tramitaria separadamente do caso principal, mas pode apurar fatos complementares. (Com informações de O Estado de S. Paulo)