Sexta-feira, 03 de julho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 3 de julho de 2026
A direção da Polícia Federal (PF) informou que a operação deflagrada nessa sexta-feira (3) contra brasileiros sancionados pelos Estados Unidos por supostos vínculos com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) já estava em preparação antes de o governo norte-americano classificar a organização como grupo terrorista internacional.
De acordo com os investigadores, a apuração e os pedidos encaminhados à Justiça foram realizados antes da publicação do decreto dos Estados Unidos. No entanto, a divulgação das sanções impostas aos investigados levou a corporação a antecipar o cumprimento da operação, diante da avaliação de que poderia haver risco de fuga dos alvos.
A ação tem como foco os empresários Stella Stefanie Nunes e Victor Henrique de Oliveira Shimada. Eles foram os primeiros brasileiros a serem sancionados pelos Estados Unidos desde que o governo do presidente Donald Trump anunciou a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais.
Durante um café da manhã com jornalistas, o diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção da Polícia Federal, Dennis Cali, explicou que a operação não foi motivada pela decisão do governo norte-americano, mas que o cronograma precisou ser alterado em razão da repercussão das sanções.
“Essa investigação deflagrada hoje, a representação policial e a decisão judicial são anteriores inclusive ao decreto americano que colocou essa organização criminosa como terrorista. Em razão dessa publicação, tivemos que adiantar e deflagrar a operação hoje. Tínhamos algumas questões operacionais de identificação do alvo. Com a divulgação ontem na imprensa (das sanções), a gente adiantou e deflagrou”, afirmou.
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, também comentou a decisão dos Estados Unidos de enquadrar o PCC como organização terrorista. Segundo ele, sob o ponto de vista técnico e jurídico, a medida não corresponde à natureza da atuação da facção e pode gerar interpretações equivocadas sobre as estratégias de enfrentamento ao crime organizado.
Ao abordar o tema, Rodrigues voltou a criticar a classificação adotada pelo governo norte-americano. “Tecnicamente é um erro grosseiro. São propósitos diferentes, objetivos diferentes, e portanto estratégias diferentes. A legislação e o sistema processual são diferentes para se fazer o enfrentamento de um grupo ou de outro”, afirmou.
O diretor-geral ressaltou ainda que a Polícia Federal mantém operações permanentes de combate às facções criminosas e aos esquemas de lavagem de dinheiro associados a essas organizações. No entanto, destacou que nem todas as pessoas investigadas em operações financeiras integram o PCC ou possuem vínculo direto com a facção.
Rodrigues também mencionou o histórico de um dos investigados na operação. “É importante salientar que esse cidadão citado (Shimada) já foi preso preventivamente pela Polícia Federal em uma operação nossa iniciada em 2024 e foi condenado em 2025, fruto dessa operação”, afirmou. (Com informações de O Estado de S. Paulo)