Quinta-feira, 05 de fevereiro de 2026

Polícia Federal investiga fraudes na gestão do Banco Regional de Brasília, o BRB

A Polícia Federal (PF) investiga uma aquisição “pulverizada” – ou seja, fragmentada e dificultada de rastreamento – de ações do Banco de Brasília (BRB) por empresários ligados ao Banco Master e à Reag Investimentos.

Segundo a investigação, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, o ex-sócio do Master Maurício Quadrado e o fundador e ex-executivo da Reag Investimentos João Carlos Mansur compraram ações do BRB como pessoas físicas, mas por meio de vários fundos e estruturas intermediárias, o que teria dificultado a identificação dos reais compradores.

A PF apura por que as aquisições não foram feitas de forma direta, mais transparente e facilmente rastreável, e por que os compradores não informaram ao banco a condição de acionistas, descoberta apenas no curso das investigações.

Não há crime no simples fato de comprar ações. O foco do inquérito é o modelo utilizado para a aquisição, que teria encoberto a identidade dos compradores.

O Banco Master foi liquidado em outubro pelo Banco Central por não ter dinheiro suficiente para honrar seus compromissos com clientes e credores.

Vorcaro chegou a ser preso pela PF em razão de investigações que apontam fraude financeira em operações do banco. Uma delas foi a venda para o BRB. A polícia apurou que o Master vendeu papéis podres (sem lastro) para o Banco de Brasília, no valor de R$ 12 bilhões. A gestão do BRB à época também é investigada.

Na esteira das investigações, a Reag, de Mansur, também virou alvo da PF. A Reag teria atuado na estruturação e administração de fundos suspeitos de movimentar recursos de forma atípica, inflar resultados e ocultar riscos, com indícios de fraude e lavagem de dinheiro.

Relatório 

A descoberta das ações do BRB em posse de Vorcaro, Quadrado e Mansur constam de um relatório de auditoria externa iniciado em 2 de dezembro, a pedido da nova diretoria do BRB, que assumiu após a exoneração do então presidente do banco, Paulo Henrique Costa.

O documento foi enviado na segunda-feira (2) pelo atual presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, ao gabinete do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal.

O banco já havia encaminhado o relatório ao Banco Central do Brasil no dia anterior e à Polícia Federal na semana passada.

Acionistas

De acordo com o relatório, Vorcaro, Quadrado e Mansur se tornaram acionistas sem relevância do BRB – categoria que não confere poder de voto, mas permite a detenção de até 5% das ações da instituição por investidor.

A compra teria ocorrido na gestão anterior do BRB, comandada por Paulo Henrique Costa, afastado judicialmente da presidência do banco no mesmo dia da liquidação extrajudicial do Banco Master.

Conexão 

Segundo a PF, os novos dados indicam coincidência entre pessoas e fundos envolvidos na compra das ações do BRB e os mesmos que participaram das operações suspeitas entre o BRB e o Banco Master entre 2024 e 2025.

A apuração busca esclarecer se o modelo de aquisição de ações teve relação com essas operações e por que a informação sobre a participação acionária não veio à tona de forma espontânea.

Em nota, o BRB afirmou que a auditoria encontrou “achados relevantes que constam da primeira etapa do relatório”.

O banco declarou ainda que, “com o intuito de resguardar seus interesses, recuperar créditos e ativos e obter o ressarcimento de prejuízos causados por agentes relacionados à operação Compliance Zero, vem adotando inúmeras medidas institucionais, administrativas e extrajudiciais”. (Com informações da colunista Camila Bomfim, do portal de notícias g1)

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