Segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 26 de outubro de 2026
A Polícia Federal (PF) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorização para investigar suspeitas de tráfico internacional de mulheres para exploração sexual em festas relacionadas ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A solicitação foi encaminhada ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, e tem como base mensagens encontradas no celular do empresário, apreendido durante as investigações sobre a instituição financeira.
Segundo os investigadores, as conversas indicariam a possível existência de uma rede internacional de prostituição estruturada a partir de 2023. O esquema teria envolvido o recrutamento de mulheres estrangeiras para encontros privados e eventos promovidos em ambientes ligados a Vorcaro. A apuração busca esclarecer se houve tráfico de pessoas, exploração sexual e favorecimento da prostituição.
As informações reunidas pela PF apontam que aproximadamente R$ 4,3 milhões teriam sido movimentados para financiar as atividades. Parte dos encontros teria ocorrido em uma residência do empresário em São Paulo. As mensagens também sugerem que Vorcaro acompanhava aspectos da organização dos eventos, incluindo a seleção de participantes e decisões relacionadas às contratações.
Entre as nacionalidades mencionadas nos diálogos estão russas, ucranianas, venezuelanas, argentinas e colombianas. Conversas também fazem referência a mulheres de outros países, incluindo refugiadas ucranianas. Os investigadores procuram determinar as circunstâncias em que essas mulheres eram recrutadas, se havia intermediários e qual era a participação efetiva de cada pessoa envolvida.
Parte das mensagens analisadas foi trocada entre Vorcaro e a influenciadora Martha Graeff, com quem ele manteve um relacionamento. Os diálogos abordam a presença de estrangeiras nos eventos e a preocupação com a exposição pública das festas. Os registros também fazem referência a encontros realizados em Trancoso, no sul da Bahia, com a participação de convidadas vindas do exterior.
A existência das mensagens, por si só, não comprova a prática dos crimes investigados. O pedido da Polícia Federal busca obter autorização para aprofundar a apuração e verificar se há elementos suficientes para a abertura de um inquérito específico. A investigação deverá esclarecer a natureza dos encontros, a origem dos recursos utilizados e as condições em que as mulheres participavam das atividades.
O caso foi encaminhado a Fachin em razão da conexão com investigações que já tramitam no Supremo relacionadas ao Banco Master. Os procedimentos sobre a instituição financeira estão sob relatoria do ministro André Mendonça. A solicitação de autorização para uma nova frente investigativa ocorre, portanto, em meio a um conjunto mais amplo de apurações envolvendo Vorcaro e suas relações empresariais.
O empresário nega irregularidades. Em manifestação divulgada anteriormente, sua defesa rejeitou as acusações e afirmou que não há provas que justifiquem a investigação. Vorcaro também contestou relatos sobre sua conduta e negou ter desrespeitado mulheres.
A eventual abertura de um inquérito deverá permitir que os investigadores aprofundem a análise dos registros eletrônicos, identifiquem possíveis envolvidos e verifiquem se os fatos configuram crimes. Até que haja conclusão das apurações, as suspeitas permanecem sob investigação e não podem ser tratadas como fatos comprovados.