Quinta-feira, 16 de abril de 2026

Polícia Federal prende ex-presidente do BRB após detectar pagamento de propina em operação com Banco Master

O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi preso nesta quinta-feira (16) durante operação da Polícia Federal que apura um suposto esquema de fraude financeira envolvendo o Banco Master. O executivo nega irregularidades.

Costa já havia sido afastado do cargo por decisão judicial e foi demitido em novembro pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), após a primeira fase da Operação Compliance Zero, que investiga indícios de fraudes em operações financeiras ligadas ao banco privado.

Segundo a investigação, a prisão está relacionada a uma operação de R$ 12,2 bilhões estruturada entre o BRB e o Banco Master. De acordo com a Polícia Federal, o arranjo teria sido feito para “abafar a fiscalização” do Banco Central (BC).

O inquérito aponta que o BRB realizou operações consideradas inconsistentes com o Master, em uma tentativa de sustentar a instituição enquanto o BC analisava a proposta de venda do banco. Em março deste ano, o BRB chegou a propor a compra do Master, mas o negócio foi barrado pela autoridade monetária.

Durante esse período, o Master negociou com o BRB a venda de carteiras de crédito — direitos sobre empréstimos — para captar recursos e manter liquidez. Para os investigadores, no entanto, a operação pode ter sido utilizada para driblar a supervisão do Banco Central.

O Ministério Público Federal (MPF) afirma que o Master teria adquirido carteiras de crédito de uma empresa ligada a um ex-funcionário sem efetuar pagamento e, em seguida, revendido esses ativos ao BRB com liquidação imediata. O movimento teria resultado na transferência de R$ 12,2 bilhões entre janeiro e maio de 2025.

Ao prestar informações ao Banco Central, o Master declarou que as carteiras tinham origem em duas associações de servidores do estado da Bahia, que teriam sido criadas por um diretor da instituição.

Diante das suspeitas, o BC analisou uma amostra de 30 supostos tomadores de crédito das operações e concluiu que não foi possível estabelecer correspondência entre os contratos e o fluxo financeiro, o que, segundo o órgão, reforça “indícios de insubsistência” — ou seja, falta de comprovação da existência das operações.

Posteriormente, o BRB apresentou nova amostra com 100 contratos, mas o Banco Central reiterou a presença de inconsistências e apontou possível “engenharia contábil e financeira” para viabilizar a captação de recursos.

Após questionamentos, a titularidade dos créditos passou a ser atribuída à empresa Tirreno, criada no fim de 2024. Segundo a investigação, há indícios de que se tratava de uma “empresa de prateleira”, usada para dar suporte à operação.

A Tirreno ampliou rapidamente seu capital para R$ 30 milhões, passou a ter como diretor um ex-funcionário do Master e realizou alterações societárias formalizadas apenas após o início das transações com o BRB.

O MPF também aponta irregularidades documentais. Segundo o órgão, contratos iniciais da parceria não foram autenticados em cartório e parte da documentação foi registrada apenas meses depois das operações.

Para os investigadores, é “atípico e desarrazoado” que o BRB tenha exigido documentação adicional somente após questionamentos do Banco Central, especialmente em uma operação de alto valor.

Diante das inconsistências, o BRB decidiu interromper a operação com a Tirreno e substituir as carteiras adquiridas por outros ativos ligados ao controlador do Master, Daniel Vorcaro. A medida buscava reduzir a exposição, inicialmente de R$ 12,2 bilhões.

Ainda assim, segundo a investigação, o volume ultrapassou o limite legal de exposição a um único cliente, estimado em R$ 1,1 bilhão.

O inquérito aponta que, entre julho de 2024 e outubro de 2025, BRB e Master realizaram operações que somam R$ 16,7 bilhões, mesmo diante de ressalvas do Banco Central.

Em nota, o BRB afirmou que “reafirma seu compromisso com a ética, a responsabilidade e a integridade na condução de suas atividades”.

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