Sexta-feira, 08 de maio de 2026

Polícia Federal prende primo de Daniel Vorcaro em nova ação sobre fraudes do Banco Master

Felipe Cançado Vorcaro, primo do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso na 5ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nessa quinta-feira (7) pela Polícia Federal (PF). A ação também mira o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o irmão dele, Raimundo Nogueira.

De acordo com informações obtidas pelo blog da colunista Camila Bomfim, do portal g1, o mandado de prisão de Felipe é temporário e será reavaliado em cinco dias. A determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF) é baseada em indícios de que ele estaria atuando para esconder provas de fraudes financeiras ligadas ao banco.

Segundo as investigações, o primo de Vorcaro faz parte do núcleo financeiro-operacional do grupo de Vorcaro. A suspeita é que ele participe de ações de lavagem de dinheiro, a partir de sociedades e fluxo de patrimônio.

Ao todo, policiais federais cumpriram 10 mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária, expedidos pelo Supremo, nos Estados do Piauí, São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal.

A operação foi autorizada pelo relator do caso no STF, ministro André Mendonça. A decisão judicial também autorizou o bloqueio de bens, direitos e valores estimados em R$ 18,85 milhões.

Repercussão

A quinta fase da Operação Compliance Zero repercutiu fortemente no meio político, tanto na direita quanto na esquerda.

O ex-governador de Minas Gerais e presidenciável Romeu Zema (Novo) afirmou que Nogueira é um “político vendido”. “Vorcaro bancou jatinho, hotel de luxo, lagosta e whisky pra político vendido encobrir fraude no Banco Master. Foi isso que a PF revelou hoje. O sistema dos intocáveis funciona assim: o povo paga imposto e eles vivem no luxo protegendo uns aos outros. Mas o silêncio em Brasília mostra uma coisa: eles estão com medo. O Brasil não é um país pobre. É um país roubado”, escreveu.

A ex-deputada estadual e vereadora de São Paulo Janaina Paschoal, que está filiada ao PP de Ciro Nogueira, defendeu que ele se afaste da presidência da sigla enquanto as investigações estiverem em andamento, de forma a poder se defender sem amarras com a legenda e o funcionamento da política.

O senador Izalci Lucas (PL-DF), que vem se colocando informalmente como pré-candidato ao governo do DF, relacionou a operação com a candidatura à reeleição de Celina Leão (PP) pelo comando de Brasília. “O Ciro é presidente do PP, partido da governadora Celina Leão, que é ligada umbilicalmente a ele. O Ciro coloca Brasilia como um balcão de negócios. Além das participações em ações do governo federal, ele interfere na gestão aqui do DF. No relatório que fiz sobre a COVID no DF, mostrei a ligação dele com relação à saúde do Distrito Federal. Havia relação com Francisco, ex-secretário de Saúde do DF. Ele foi preso na época. Agora, há também a ligação com Paulo Henrique Costa, que teria sido indicado por ele. Tenho certeza de que, com as delações que estão acontecendo, vamos conseguir chegar aos envolvidos neste esquema”, disse à revista Veja.

Lucas não é candidato oficialmente ao governo brasiliense porque o diretório local, comandado pela deputada Bia Kicis (PL-DF) e pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF) tem dado apoio a Celina Leão e repreendido as posições do senador que teve sua candidatura para reeleição ao Senado inviabilizada por elas.

Guilherme Boulos, ministro-chefe da Secretaria da Presidência da República, por sua vez, relacionou Ciro Nogueira à candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que teria dito que gostaria de ter o piauiense como seu vice na chapa. “O vice dos sonhos de Flávio Bolsonaro: Ciro Nogueira, da mesada de 300 mil do Master. Precisa desenhar?”, questionou.

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai (PT-RS), afirmou que a operação é “uma bomba contra o bolsonarismo e a extrema direita” e relacionou Nogueira à campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). “Ciro Nogueira foi ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro. Articulou, na semana passada, junto com Flávio Bolsonaro e Davi Alcolumbre, a proteção de duas organizações criminosas: a que tentou golpe à democracia no Brasil tentaram assassinar presidente eleito, reduzindo as penas dos golpistas, e, nesse acordo, fizeram para não investigar o Banco Master por uma nova CPMI. Protegidos: Flávio Bolsonaro, Ciro Nogueira, Davi Alcolumbre”, falou o deputado em um vídeo publicado nas redes sociais.

A deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS) disse que Nogueira está “enrolado até o pescoço em corrupção”. “Não falha! (…) Ele é suspeito de receber quantidades imensas de dinheiro de Vorcaro. E não é só isso. Também encontraram na casa do ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro minutas de projetos de lei de interesse próprio. Quem diria que a extrema direita é corrupta e legisla em causa própria, não é mesmo? Por isso eu e Heloísa Helena lutamos para que seja aberta a CPMI do Master, que a direita está tentando boicotar”, escreveu a parlamentar. (Com informações do blog da colunista Camila Bomfim, do portal de notícias g1 e da revista Veja)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Política

Lula evita comentar operação sobre o Banco Master contra Ciro Nogueira: “Espero que todos sejam inocentes”
Banco Master: alvo de operação da Polícia Federal, primo de Vorcaro já tinha fugido em carrinho de golfe
Pode te interessar
Baixe o app da TV Pampa App Store Google Play