Sexta-feira, 20 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 19 de março de 2026
A Polícia Federal (PF) está preparando um relatório sobre os primeiros achados no celular e nos arquivos de Daniel Vorcaro que podem atingir figuras políticas. Investigadores com acesso ao material já mapearam uma série de menções ao senador Ciro Nogueira, presidente do PP, e estão avaliando se vão pedir a abertura de um inquérito para apurar se o parlamentar atuou para favorecer o banqueiro. O documento será encaminhado nos próximos dias ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso Master.
Mensagens em posse da Polícia Federal mostram que Vorcaro celebrou uma emenda de Ciro Nogueira inserida em uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que favorecia o Master. A proposta apresentada pelo parlamentar em agosto de 2024 sugeria elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o valor da indenização paga pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para clientes que tenham aplicações financeiras como CDBs (certificados de depósito bancário) em instituições financeiras que enfrentem crise ou dificuldade para honrar seus compromissos.
Nos diálogos, Vorcaro relata ainda que a repercussão foi imediata. “Kkk todo mundo me ligando” (…) Sentiram o golpe”, comemorou o banqueiro. A proposta de Nogueira acabou sendo rejeitada por falta de apoio.
Durante as negociações para vender a instituição financeira de Vorcaro para o BRB, o Banco Central deu sinais de que poderia rejeitar a operação. Diante desse impasse, o deputado Cláudio Cajado (PP-BA), aliado de Ciro Nogueira, articulou um requerimento para acelerar a tramitação de um projeto de lei que permitiria ao Congresso destituir presidentes e diretores do BC. A investida contou com apoio de diferentes siglas, mas não foi adiante porque a pressão do mercado enterrou a manobra.
Em mensagem para a sua então namorada, Vorcaro qualificou Nogueira como “um dos meus grandes amigos de vida”. Na segunda-feira (16), o senador disse conhecer “todos os grandes empresários do país”, mas afirmou que tais relações não configuram proximidade.
“Sou convidado para jantares, palestras, encontros. Agora, o CPF dele é um, o meu é outro. O que vai nortear minha trajetória de vida é minha história, e podem ter toda a certeza: se surgir algum dia alguma denúncia que seja comprovada contra o senador Ciro, eu renuncio ao meu mandato”, afirmou o senador, ao ser questionado por jornalistas sobre o assunto.
Ao analisar as mensagens e arquivos de Vorcaro, investigadores têm descartado do material que interessa à investigação e que apresenta indícios de irregularidades o conteúdo da vida privada do banqueiro, mesmo que envolva relações pessoais com políticos. O objetivo da Polícia Federal é se concentrar em achados que possam revelar a prática de algum crime.
Para que o inquérito continue tramitando no Supremo Tribunal Federal (STF) é necessário que a PF aponte o envolvimento, no escândalo do Master, de alguma pessoa com direito a foro privilegiado, como, por exemplo, deputado federal ou senador praticando crimes no exercício dos seus mandatos. (Com informações do jornal O Globo)