Sábado, 17 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 16 de janeiro de 2026
De acordo com a jornalista Julia Duailibi, o clima de apreensão que se espalhou por Brasília após a apreensão de celulares na operação envolvendo o Banco Master tem uma explicação técnica bem definida. O temor estaria relacionado ao fato de que a Polícia Federal é, atualmente, o único órgão no país que dispõe de tecnologia capaz de acessar o conteúdo completo de um telefone celular mesmo quando o aparelho está desligado e sem a senha de desbloqueio.
Embora outras forças policiais possuam ferramentas que permitem romper bloqueios de tela e acessar dispositivos ligados, a extração de dados de um celular desligado representa um obstáculo tecnológico consideravelmente maior. De acordo com a apuração da colunista, apenas a perícia da Polícia Federal tem condições técnicas de superar essa barreira nos dias de hoje, o que amplia o alcance das investigações e gera preocupação entre os investigados.
Para realizar esse tipo de procedimento de forma segura, os peritos da PF recorrem a um conceito da física conhecido como “Gaiola de Faraday”. Essa técnica consiste no uso de uma estrutura metálica, que pode assumir a forma de uma caixa rígida ou de uma bolsa especial, projetada para bloquear completamente a entrada e a saída de ondas eletromagnéticas.
O uso desse recurso é considerado essencial porque a extração dos dados precisa ocorrer sem que o aparelho se conecte a qualquer tipo de rede externa, seja Wi-Fi ou dados móveis. Caso o telefone estabelecesse conexão ao ser ligado, haveria o risco de que o conteúdo fosse apagado remotamente por quem detém acesso à conta vinculada ao dispositivo. Ao operar o celular dentro da “gaiola”, os peritos conseguem mantê-lo totalmente isolado do ambiente externo, preservando a integridade das informações e garantindo a validade da prova.
O receio em Brasília também se explica pelo perfil das pessoas cujos aparelhos estão sob custódia da Justiça. Entre os celulares apreendidos estão os de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, de seu cunhado e do investidor Nelson Tanure. Trata-se de nomes com forte circulação nos meios político e econômico, o que amplia o impacto potencial da análise do material apreendido.
Outro ponto destacado pela colunista é que a tecnologia utilizada pela Polícia Federal não admite soluções parciais. Conforme a apuração, não há a possibilidade de selecionar previamente apenas determinados arquivos ou conversas. Ou seja, os peritos “baixam” todo o conteúdo do dispositivo para, somente depois, realizar a triagem e a análise do que é relevante para a investigação.
Isso implica que mensagens, fotos, e-mails, registros antigos e outros dados, mesmo que não tenham relação direta com o caso investigado, acabam ficando acessíveis aos investigadores. É justamente essa perspectiva de uma devassa completa em celulares pertencentes a pessoas com ampla rede de contatos que ajuda a explicar o ambiente de tensão e inquietação observado na capital federal. (Com informações da colunista Julia Duailibi, do portal de notícias g1)