Quarta-feira, 18 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 17 de dezembro de 2022
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul concluiu que Seu Jorge foi alvo de ofensas racistas durante um show realizado em Porto Alegre, no dia 14 de outubro. O crime ocorreu no Grêmio Náutico União, onde o artista foi xingado de “macaco” e algumas pessoas imitaram o som do animal.
Após dois meses de investigações, a titular da Delegacia de Polícia de Combate à Intolerância informou que não conseguiu identificar os autores dos insultos e, por isso, ninguém foi indiciado.
A delegada responsável pelo caso, Andrea Mattos, disse que as imagens com a perspectiva da plateia e a pluralidade de vozes nos trechos de áudios impediram a identificação. “É perfeitamente possível que pessoas da própria plateia não tenham ouvido as ofensas racistas. Ao contrário das vaias, foram emitidas por uma pequena parcela e muito dispersa”, disse a delegada. A polícia avalia que havia cerca de 800 pessoas no clube.
Dezessete pessoas prestaram depoimento, incluindo o cantor, músicos, profissionais que trabalharam no evento, o presidente do clube e testemunhas. A prova testemunhal confirmou as acusações.
“A minha conclusão é que houve a materialidade, mas não temos uma pessoa física para atribuir a autoria dessas ofensas”, disse a autoridade policial.
O caso pode ter repercussão na esfera cível, pois o clube não será responsabilizado criminalmente.