Quarta-feira, 13 de maio de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 13 de maio de 2026
Sempre que vivemos um processo eleitoral, voltam à tona promessas para a educação. É positivo que o tema esteja presente no debate público, afinal, trata-se de uma área central para o futuro do país.
O problema é que, na maioria das vezes, essas promessas permanecem no discurso e não se concretizam na prática, o que compromete o desenvolvimento da juventude e da própria nação. A educação anda muito bem somente nas propagandas pagas dos governos, com honrosas exceções.
Os indicadores de qualidade da educação nas últimas décadas mostram um cenário preocupante. O Brasil figura entre os últimos colocados em avaliações internacionais, e o Rio Grande do Sul, que já foi referência nacional, perdeu relevância nesse campo. Diante disso, a pergunta que se impõe é: quais são as causas dessa situação?
É comum atribuir o problema à falta de recursos. Sem dúvida, investir mais é importante, e quanto maior o investimento, melhores podem ser as condições estruturais. No entanto, o desafio não se resume apenas a isso. O país já destina uma parcela significativa do PIB à educação. Houve avanços na remuneração dos professores, embora ainda exista o entendimento de que a valorização da carreira docente deve ser ampliada. Professores melhor remunerados tendem a ter melhores condições de preparo e desempenho.
O debate educacional, porém, frequentemente se limita a questões como financiamento, insatisfação docente e o aumento da violência nas escolas. Nesse contexto, surge outra questão essencial: como motivar os jovens a se engajarem no processo educativo e a buscarem crescimento pessoal?
A interferência política na educação é, em parte, uma realidade. A nomeação de gestores sem a devida qualificação compromete resultados e fragiliza o sistema. Da mesma forma, não se pode ignorar que parte do corpo docente enfrenta desmotivação e perda de propósito, o que impacta diretamente a qualidade do ensino. Em qualquer profissão, a ausência de ideais dificulta o exercício pleno da atividade.
A superação desses desafios exige uma abordagem multifatorial. Não se trata apenas de ampliar estruturas ou criar novas instituições, mas de repensar o papel de cada agente envolvido. Nesse sentido, a participação da família é decisiva. Há décadas, era mais comum a presença ativa dos pais na vida escolar dos filhos, por meio de associações e círculos de pais e mestres. Esse vínculo fortalecia o processo educativo, pois educar é, antes de tudo, uma responsabilidade compartilhada.
Hoje, observa-se um distanciamento crescente entre família e escola. Ao mesmo tempo, surgem novos desafios, como o impacto das redes sociais, a perda de hábitos de estudo e mudanças culturais que influenciam o comportamento dos jovens. Diante disso, torna-se ainda mais necessário reconstruir a parceria entre pais e educadores.
Recuperar a qualidade da educação passa, portanto, por resgatar esse trabalho conjunto. A escola deve ser um espaço de ensino e aprendizagem, focado na formação integral dos estudantes, enquanto a família exerce seu papel fundamental na educação de base. Somente com essa convergência será possível avançar na construção de uma educação mais sólida e capaz de preparar as novas gerações para o futuro.
* Jocelin Azambuja, advogado-fundador da ACPM-FEDERAÇÃO