Segunda-feira, 16 de março de 2026

Por que é tão fácil para o Irã fechar o Estreito de Ormuz

Seguindo uma antiga ameaça, o Irã efetivamente fechou o Estreito de Ormuz, bloqueando uma via marítima vital que normalmente transporta cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, em retaliação aos ataques dos Estados Unidos e de Israel.

Enquanto os mercados de petróleo se preocupam com uma crise energética global, os Estados Unidos afirmaram que podem considerar escoltar navios pelo estreito, algo que pode se mostrar muito difícil de garantir, como os houthis do Iêmen demonstraram ao interromper o tráfego no Mar Vermelho no ano passado.

Cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito mundial normalmente passa pelo estreito, onde o tráfego caiu 97% desde que a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã começou em 28 de fevereiro, segundo dados da ONU.

Os analistas sempre consideraram o fechamento do estreito como uma medida de último recurso, devido às mudanças estratégicas de longo prazo que poderia provocar entre os inimigos do Irã e ao potencial de retaliação contra seu próprio setor energético.

O ataque ao Irã iniciado em 28 de fevereiro, com a morte de seu líder supremo, mudou essa equação. Autoridades iranianas descrevem a guerra como existencial, com a Guarda assumindo cada vez mais a liderança da estratégia.

A estreita passagem de água entre o Irã e o Omã, que liga o Golfo ao Golfo de Omã, é a única saída marítima para países produtores de petróleo e gás, como Kuwait, Irã, Iraque, Catar e Emirados Árabes Unidos.

Na segunda-feira (9), os preços do petróleo subiran brevemente para o nível mais alto desde 2022. Preços altos do petróleo podem desencadear outra crise de custo de vida, como ocorreu após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, segundo a ONU.

Um conflito prolongado também poderia causar um choque no fornecimento de fertilizantes, colocando em risco a segurança alimentar global. Cerca de 33% dos fertilizantes do mundo, incluindo enxofre e amônia, passam pelo Estreito, de acordo com a empresa de análise Kpler.

Uma guerra prolongada poderia alimentar temores de uma crise econômica global, semelhante às que seguiram os choques do petróleo no Oriente Médio na década de 1970.

Dificuldades

As rotas de navegação têm apenas duas milhas náuticas (cerca de três quilômetros) de largura, e os navios precisam fazer uma curva em frente a ilhas iranianas e uma costa montanhosa que fornece cobertura para as forças iranianas, de acordo com a corretora de transporte marítimo SSY Global.

A marinha convencional do Irã foi amplamente destruída, mas a Guarda ainda tem muitas opções, incluindo embarcações de ataque rápido, mini-submarinos, minas e até jet skis carregados com explosivos, disse Tom Sharpe, comandante aposentado da Marinha Real.

Teerã tem capacidade de produzir cerca de 10.000 drones por mês, segundo o Centre for Information Resilience, um grupo de pesquisa sem fins lucrativos.

Escoltar três ou quatro navios por dia pelo estreito seria viável a curto prazo usando sete ou oito destróieres para fornecer cobertura aérea, e dependeria de a ameaça de mini-submarinos ter sido reduzida, mas fazer isso de forma sustentável por meses exigiria mais recursos, disse Sharpe.

Mesmo que a capacidade do Irã de lançar mísseis balísticos, drones e minas flutuantes fosse destruída, os navios ainda enfrentariam a ameaça de operações suicidas, disse Adel Bakawan, diretor do European Institute for Middle East and North African Studies.

Se a guerra continuar por semanas, algum tipo de escolta será organizado, disse Kevin Rowlands, editor do RUSI Journal no Royal United Services Institute.

“O mundo precisa que o petróleo flua a partir do Golfo, e por isso há planejamento em andamento para implementar medidas de proteção”, afirmou.

Outros gargalos

Os Houthis do Iêmen, um grupo aliado de Teerã, mas com um arsenal militar muito menor do que o do Irã, conseguiram interromper a maior parte do tráfego pelo Mar Vermelho e pelo Estreito de Bab al-Mandab em direção ao Canal de Suez por mais de dois anos, apesar da proteção fornecida por forças lideradas pelos EUA e pela União Europeia.

A maioria das empresas de transporte marítimo ainda está usando uma rota muito mais longa pelo sul da África. A empresa dinamarquesa Maersk havia anunciado que começaria a retornar gradualmente à rota do Suez a partir de janeiro.

Uma força liderada pela UE tem sido mais bem-sucedida no combate à pirataria na costa da Somália, mas isso ocorreu contra forças muito menos bem equipadas do que os Guardiões da Revolução do Irã.

Alternativas

Os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita buscaram maneiras de contornar o estreito, construindo mais oleodutos.

Mas eles não estão atualmente operacionais, e um ataque a um oleoduto leste-oeste da Arábia Saudita pela milícia houthi em 2019 mostrou que essas alternativas também eram vulneráveis. (As informações são da CNN Brasil)

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