Sábado, 10 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 9 de janeiro de 2026
A volta do presidente Donald Trump à Casa Branca, para seu segundo mandato, deu um empurrão para a aprovação, após 26 anos de negociações, do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE), formada por 27 países. Nesta sexta-feira (9), o tratado de livre-comércio recebeu aval dos embaixadores da UE, reunidos em Bruxelas, na Bélgica.
Trump adotou várias medidas protecionistas ao longo de 2025. O tarifaço afetou diversos países e abalou as relações comerciais com a UE, que se viu obrigada a buscar novos mercados. Além disso, o acordo com o Mercosul representa uma vitória do multilateralismo, em contraponto a medidas unilaterais do presidente americano.
O republicano já determinou a retirada dos EUA de 66 organizações internacionais. A recente invasão da Venezuela e a captura do então presidente Nicolás Maduro reforçou a posição de falta de diálogo de Trump com os demais países do globo, tornando ainda mais premente a reação das nações em defesa de decisões multilaterais.
Para Thomas Traumann, consultor de risco político, o acordo com a UE do ponto de vista do Mercosul tem um peso histórico que finalmente confere finalidade ao bloco, que desde a sua criação, nos anos 1980, teve dificuldades em ser uma plataforma de ampliação de parcerias comerciais e acabou mais restrito ao comércio bilateral entre Brasil e Argentina.
Mas considera que o tratado só efetivamente saiu do papel por conta da postura protecionista de Donald Trump. “Se Biden ou Kamala tivessem sido eleitos, talvez esse acordo ficaria assim, só enrolando e enrolando. Esse acordo está saindo porque está todo mundo entendendo que os países precisam se abrir para outros e não depender só dos Estados Unidos”, disse.
A tendência agora, segundo ele, é que cada país busque suas próprias negociações, e não mais a partir do bloco – a exemplo da visita do ministro do Canadá ao Brasil, em abril, que pode aproximar a relação entre os dois países.
O acordo comercial começou a ser negociado em 1999. Após idas e vindas, entre períodos de congelamento total e anos de avanços, as negociações chegaram a uma conclusão parcial em 2019. Alguns pontos ficaram em aberto, mas a pandemia de Covid-19 paralisou tudo novamente.
Com a volta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para um terceiro mandato a partir de 2023, as conversas recomeçaram. Alguns pontos foram revistos, como a abertura das compras governamentais, com a facilitação de licitações internacionais, e parâmetros de proteção ao meio ambiente.
Mesmo assim, foi apenas no fim de 2024, após a eleição de Trump, em novembro, que as conversas ganharam velocidade e os diplomatas dos dois blocos voltaram a concluir um novo rascunho do tratado. O anúncio da conclusão dessa nova rodada de negociações foi feito na cúpula do Mercosul, em dezembro daquele ano, em Montevidéu. (Com informações do jornal O Globo)