Quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Por que o temível arsenal russo da Venezuela fracassou durante a captura de Maduro pelos Estados Unidos

Os avançados sistemas de defesa aérea da Venezuela, fabricados pela Rússia, nem sequer estavam conectados ao radar quando os helicópteros americanos chegaram para capturar o ditador Nicolás Maduro. Segundo autoridades americanas, isso deixou o espaço aéreo venezuelano surpreendentemente desprotegido muito antes de o Pentágono lançar sua ação militar de captura.

Os famosos sistemas de defesa aérea S-300 e Buk-M2, fabricados na Rússia, deveriam ser um símbolo potente dos laços estreitos entre a Venezuela e a Rússia, dois rivais dos Estados Unidos. Sua aliança parecia dar à Rússia uma presença cada vez maior no Hemisfério Ocidental.

Com grande alarde, a Venezuela anunciou que estava comprando as defesas aéreas da Rússia em 2009, em meio a tensões com Washington. O então presidente esquerdista da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou as armas como um impedimento à agressão americana.

Mas a Venezuela não conseguiu manter e operar o S-300 — um dos sistemas antiaéreos mais avançados do mundo —, bem como os sistemas de defesa Buk, deixando seu espaço aéreo vulnerável quando o Pentágono lançou a Operação Absolute Resolve para capturar Maduro, disseram quatro autoridades americanas atuais e ex-autoridades.

Além disso, uma análise do The New York Times de fotos, vídeos e imagens de satélite encontrou que alguns componentes da defesa aérea ainda estavam armazenados, em vez de operacionais, no momento do ataque. Levando tudo em consideração, as evidências sugerem que, apesar de meses de avisos, a Venezuela não estava preparada para a invasão americana.

Incompetência

Em suma, a incompetência das forças armadas venezuelanas parece ter desempenhado um papel importante no sucesso dos EUA. Os tão alardeados sistemas antiaéreos da Venezuela estavam desconectados quando as forças americanas entraram no espaço aéreo da capital venezuelana, e podem não estar funcionando há anos, segundo ex-funcionários e analistas.

A Rússia compartilhou do fracasso, disseram autoridades e especialistas, porque instrutores e técnicos russos teriam que garantir que o sistema estivesse totalmente operacional e ajudar a mantê-lo assim.

“As próprias demandas de guerra da Rússia na Ucrânia podem ter limitado sua capacidade de sustentar esses sistemas na Venezuela, para garantir que eles estivessem totalmente integrados”, disse De la Torre.

Na verdade, dois ex-autoridades americanas argumentaram que a Rússia pode ter silenciosamente permitido que o equipamento militar que vendeu à Venezuela caísse em desuso, para evitar um conflito maior com Washington. Se as forças armadas venezuelanas tivessem abatido uma aeronave americana, disseram eles, o impacto sobre a Rússia poderia ter sido significativo.

“Parece que essas defesas aéreas russas não funcionaram muito bem, não é?”, disse o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, poucos dias após o ataque.

Analista militar na Venezuela, Yasser Trujillo afirma que “as forças armadas venezuelanas estavam praticamente despreparadas para o ataque dos EUA. Suas tropas não estavam dispersas, o radar de detecção não estava ativado, implantado ou operacional. Foi uma cadeia de erros que permitiu aos Estados Unidos operar com facilidade, enfrentando uma ameaça muito baixa do sistema de defesa aérea venezuelano.”

Derrota para a Rússia

A destituição de Maduro e a nova, embora instável, parceria do governo venezuelano com os Estados Unidos são um golpe para a influência russa na região.

Nos últimos 15 anos, Moscou reconstruiu gradualmente sua presença na América Latina após o colapso da União Soviética, aumentando suas vendas de armas para a região e forjando novas alianças, especialmente com a Venezuela.

Mas essa aliança pode não ter sido tão sólida quanto a Rússia e a Venezuela retrataram. Moscou sinalizou a Washington que daria aos americanos influência irrestrita na Venezuela em troca de liberdade de ação na Ucrânia, de acordo com Fiona Hill, que dirigiu os assuntos russos e europeus no Conselho de Segurança Nacional durante o primeiro governo Trump.

Próximos passos

Ainda não se sabe por quanto tempo a frágil paz com os Estados Unidos irá durar. Washington está ameaçando usar suas forças navais concentradas no Caribe se Caracas não atender às suas exigências, incluindo a abertura de campos de petróleo para empresas americanas.

O secretário de Estado Marco Rubio também está pressionando o governo interino venezuelano a expulsar conselheiros estrangeiros da Rússia, Cuba, Irã e China, em uma tentativa de afirmar o domínio de Washington sobre o país e a região de forma mais ampla.

Logo após a captura de Maduro, o Departamento de Estado publicou uma foto do presidente Trump com um olhar severo e a legenda “este é o nosso hemisfério”. As informações são do jornal The New York Times, reproduzida pela Folha de S. Paulo.

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