Terça-feira, 13 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 12 de janeiro de 2026
As cidades do Irã se prepararam para mais noites de protestos contra o governo, apesar da repressão crescente das autoridades, que prometeram acabar com as manifestações. O número de mortos chega a 538, segundo observadores internacionais, além de mais de 10 mil detidos.
De acordo com os últimos números – de ativistas dentro e fora do Irã – ao menos 490 manifestantes morreram, e 48 agentes de segurança, com mais de 10.600 pessoas presas em duas semanas de agitação.
As passeatas começaram no final de dezembro em resposta a uma crise econômica, mas desde então se espalharam e cresceram em tamanho, alimentadas pela insatisfação contra o governo autoritário do Irã.
Na sexta-feira, 9, a capital do país, Teerã, e outras grandes cidades foram sacudidas por uma segunda noite consecutiva de tumultos, apesar do bloqueio da internet. Os manifestantes entoaram slogans contra o regime da República Islâmica, acenderam fogueiras e, em alguns casos, incendiaram prédios, de acordo com entrevistas com testemunhas e vídeos verificados pelo The New York Times ou exibidos pela BBC Persian Television.
As autoridades ameaçaram tomar medidas duras contra os manifestantes. No sábado, as forças armadas do Irã disseram em um comunicado que protegeriam “a infraestrutura estratégica e a propriedade pública”.
Dezenas de manifestantes foram mortos desde o início dos protestos, no final de dezembro, de acordo com grupos de direitos humanos.
O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, disse na sexta-feira que o governo “não recuaria” e chamou os manifestantes de vândalos que estavam tentando “agradar” o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Trump prometeu que os Estados Unidos ajudariam os manifestantes se o governo usasse força letal contra eles, embora não esteja claro se ele cumprirá essa ameaça.
No sábado, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, escreveu nas redes sociais que “os Estados Unidos apoiam o corajoso povo do Irã”.
A economia do Irã está sob pressão contínua há anos, em grande parte como resultado das sanções dos EUA e da Europa relacionadas às suas ambições nucleares. Uma guerra de 12 dias com Israel em junho de 2026 esgotou ainda mais os recursos financeiros do Irã.
Quando a moeda despencou em relação ao dólar americano no final de dezembro, em meio a uma inflação persistentemente alta, comerciantes e estudantes universitários organizaram dias de protestos.
Mas, à medida que os comícios cresciam, os protestos se tornaram uma crítica mais ampla ao governo teocrático do Irã. Nas redes sociais e na televisão, os manifestantes foram vistos entoando slogans como “Morte ao ditador” e “Iranianos, levantem suas vozes, gritem por seus direitos”.
Qual é a intensidade dos protestos?
As manifestações se espalharam por dezenas de cidades em todo o Irã, de acordo com o acompanhamento do Instituto para o Estudo da Guerra, com sede nos Estados Unidos.
Na sexta-feira, vídeos postados na televisão persa da BBC mostraram milhares de pessoas marchando em Teerã, atraindo apoiadores do que os moradores disseram em entrevistas ser uma amostra representativa dos bairros da classe trabalhadora, da classe média e dos bairros ricos.
O novo balanço de mortes nos protestos contra o governo do aiatolá Ali Khamenei ocorre em meio a denúncias de violência policial feitas por manifestantes. O chefe da polícia do Irã, Ahmad-Reza Radan, afirmou neste domingo que “o nível de confronto contra os manifestantes se intensificou”.
Amir Reza, 42, engenheiro, disse em entrevista de Teerã na sexta-feira que ouviu tiros e decidiu ir para casa depois que policiais da tropa de choque e milícias à paisana começaram a atirar para o alto e perseguir a multidão para dispersá-la.
Como o governo do Irã reagiu?
As autoridades iranianas reagiram duramente aos protestos. A Guarda Revolucionária advertiu em um comunicado na sexta-feira que suas “linhas vermelhas” incluíam “a proteção das conquistas da Revolução Islâmica e a manutenção da segurança da sociedade”.
O governo inicialmente sinalizou disposição para ouvir as demandas dos manifestantes. No início deste mês, anunciou planos para fornecer à maioria dos cidadãos um pagamento mensal equivalente a cerca de US$ 7.
O presidente Masoud Pezeshkian reconheceu o que chamou de queixas “legítimas” do público. Ele nomeou um novo chefe do banco central e disse que “qualquer comportamento violento e coercitivo” deve ser evitado.
Como outros países reagiram?
O governo do Irã está enfraquecido no cenário internacional e lidando com o medo crescente entre muitos iranianos de uma nova rodada de ataques militares dos EUA ou de Israel.
Autoridades israelenses se manifestaram em nome dos manifestantes, e Trump disse este mês que os Estados Unidos estavam “prontos para agir” se o governo iraniano usasse força letal contra os manifestantes.
Mas Trump — que tem alardeado sua capacidade de usar o poderio militar para atacar ou coagir nações — foi evasivo na quinta-feira quando questionado se pretendia forçar uma mudança de regime no Irã. Com informações do portal Estadão.