Terça-feira, 18 de junho de 2024

Possibilidade de menos chuva do que o esperado acende alerta para aumentos intensos na conta de luz

Nos próximos meses, com a iminente chegada da estação mais quente do ano, as ondas de calor que eventualmente atingirão o País, podem causar impacto sobre as contas de energia elétrica dos consumidores. O impacto deve ser limitado, avaliam especialistas, mas caso as chuvas esperadas para o período não se concretizem, o acionamento de térmicas deve ser um dos efeitos mais imediatos, com os consequentes reflexos mais expressivos nas tarifas.

As ondas de calor são intensificadas pela ocorrência do fenômeno climático El Niño, que tem sido considerado forte por meteorologistas. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) acionou recentemente termelétricas para garantir a segurança no fornecimento de energia. Um efeito prático se deu em novembro, quando o sistema elétrico registrou dois recordes instantâneos no consumo de energia no Brasil, superando a marca de 100 gigawatts (GW) de carga. No mês passado, a Eneva precisou acionar as térmicas a carvão da companhia (Itaqui e Pecém II) para atender a chamados do ONS.

A boa situação hidrológica verificada desde 2022 garantiu que os reservatórios das hidrelétricas se mantivessem cheios. Com isso, o custo de curto prazo da energia elétrica, o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), esteve no piso regulatório de R$ 69,04 por megawatt-hora (MWh) durante vários meses, desde o ano passado até setembro. Porém, o PLD vem registrando alta em algumas horas do dia.

Esse aumento se deu por causa da saída do sistema de algumas térmicas para manutenção, como Angra 1, e do baixo volume de chuvas no Norte e Nordeste do País, que retirou hidrelétricas como Tucuruí, Belo Monte e as usinas dos rios Madeira e São Francisco, além da variação na geração eólica, também no Nordeste.

A geração térmica, neste caso, atende à restrição de demanda, motivada por uma linha de transmissão ou uma usina que deixou de operar por algum motivo previsto ou não (paradas não programadas, queda no volume de vento nas eólicas ou de incidência de sol etc). Para esse acionamento, as térmicas escolhidas são as conhecidas como “de partida rápida”, que demandam pouco tempo para estar em pleno funcionamento.

A geração, neste caso, se dá por poucas horas, até o restabelecimento da condição operativa. Em nota, o ONS explicou que esse acionamento se dá conforme a necessidade do sistema, em busca da confiabilidade e segurança necessárias para o sistema elétrico com o menor custo possível, justificando-se em horários específicos de maior demanda. “As temperaturas elevadas acarretam um aumento da carga do Sistema Interligado Nacional (SIN), demandando despacho adicional de termelétricas em horários de pico de demanda.”

O uso de térmicas pelo ONS é diferente do que é feito para a chamada “segurança energética”, quando há necessidade de ligar termelétricas para preservar os níveis de armazenamento dos reservatórios, por determinação do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE). A situação causa o acionamento das chamadas bandeiras tarifárias, que sinalizam o custo para o consumidor em função da quantidade de geração térmica exigida: verde significa nenhum custo adicional e vermelha, maiores impactos nas tarifas.

Para isso, o ONS obedece ao critério da ordem de mérito de custo econômico, que é uma fila de usinas com custo crescente de combustível — as mais baratas têm mais chance de gerar quando o ONS determinar o despacho. Esse tipo de acionamento dura mais tempo e impacta mais para os consumidores de energia elétrica. Pode haver ainda a geração fora da ordem de mérito, caso autorizado pelo CMSE, para evitar “default” no sistema elétrico.

No caso dos despachos por restrição, a ordem de mérito não é o único critério. Em algumas situações, o ONS precisa de usinas que tenham característica de “partida rápida”, usinas que entram em operação plena em curto tempo para evitar riscos de sobrecarga em regiões específicas quando a demanda é mais elevada, como em dias muito quentes.

 

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