Sábado, 13 de junho de 2026

Postura de Trump com o irã ganha apoio da Fifa e críticas nos Estados Unidos

Com a Copa prestes a começar, a postura do governo Donald Trump de dobrar a aposta em hostilidades contra imigrantes e países rivais no cenário internacional, como o Irã, vem despertando críticas dentro dos EUA, mas foi recebida nesta quarta-feira com afagos pelo presidente da Fifa, Gianni Infantino.

Em entrevista coletiva, o suíço minimizou o impacto das restrições impostas pela gestão Trump à seleção iraniana e ao árbitro somali Omar Artan, barrado no país por suposta “ligação com o terrorismo”. Especialistas, por outro lado, também avaliam que há risco de os jogos, especialmente de seleções latinas, receberem batidas do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) em busca de estrangeiros com documentação irregular.

No fim de maio, uma pesquisa do instituto Yougov captou um país dividido pela possível repressão do ICE na Copa: 59% dos eleitores trumpistas consideraram que o Mundial será “mais seguro” com a polícia migratória. Já 71% dos democratas, que fazem oposição a Trump, enxergaram um torneio “menos seguro”.

Buscando se esquivar das tensões na sede da Copa, Infantino afirmou nesta quarta que vem “trabalhando bem próximo” a Trump no pré-Copa e se disse “muito feliz” com o relacionamento.

— Sem o apoio e o envolvimento dele, creio que seria impossível organizar uma Copa nos EUA — disse Infantino. — Nós (Fifa) sempre tentamos encontrar soluções. Mas não somos os reis do mundo, que podem dar ordens a governos e à polícia.

‘Chorar e gritar’
O presidente da Fifa classificou como “infelicidade” o fato de o somali Omar Artan ter sido impedido de entrar nos EUA, mas defendeu que situações como a do árbitro sejam negociadas com o governo dos EUA e que “chorar e gritar pode ter o efeito contrário”. Ontem, o chefe da força-tarefa da Casa Branca junto à Fifa, Andrew Giuliani, disse que os EUA tiveram “uma razão muito boa” para barrar o árbitro, sem sinalizar um recuo na postura.

Infantino, por sua vez, também se disse “orgulhoso” por ter costurado a presença do Irã no Mundial, em meio à guerra entre o país e os EUA, que recrudesceu nesta semana. Na quarta-feira, os EUA fizeram uma série de bombardeios no Irã, após Trump prometer retaliar a derrubada de um helicóptero militar americano no Estreito de Ormuz, área de influência iraniana.

— Diferentemente do Catar, que tratou o futebol como plataforma para seu regime em 2022, a Copa nunca foi um projeto do Trump. Até por isso, ele não parece preocupado pelo fato de trocar bombas com um país participante às vésperas do Mundial, o que expõe ainda mais as contradições da Fifa — avaliou o cientista político Maurício Santoro, colaborador do Centro de Estudos Políticos-Estratégicos da Marinha no Brasil.

Nesta quarta, acrescentando mais um elemento às hostilidades com os EUA, o ministro iraniano dos Esportes, Ahmad Donyamali, ameaçou retirar a seleção de campo caso “bandeiras e slogans contrários à equipe nacional sejam entoados” nos estádios americanos. A Fifa costuma vetar a entrada de bandeiras alusivas à oposição ao atual regime iraniano.

Influencers na mira
Para a estreia do Irã no torneio, sábado, contra a Nova Zelândia, em Los Angeles, um porta-voz do Departamento de Segurança Interna disse que “graças à generosidade de Trump, foi autorizada a chegada do time iraniano na véspera” — algo que deveria ser praxe para todas as seleções, conforme o protocolo da própria Fifa.

Segundo a emissora ESPN, a delegação do Irã deixará os EUA no dia seguinte à partida para se hospedar no México, em outra mudança forçada pelo clima bélico com o governo Trump. O plano original dos iranianos era se basear nos EUA, já que seus três jogos na fase de grupos serão em cidades americanas.

Em outra ofensiva contra visitantes durante a Copa, o governo do EUA emitiu na quarta-feira um comunicado, de acordo com o jornal El País, no qual sinalizou risco de deportação para influenciadores digitais que entrarem no país com visto de turista, e não de trabalho. Segundo a nota do governo americano, isto pode configurar “violação das condições de admissão” no país. Com informações do portal O Globo.

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