Segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Pouco mais da metade dos brasileiros confia nas urnas eletrônicas, mostra pesquisa Genial/Quaest

Pouco mais da metade dos brasileiros (53%) confia nas urnas eletrônicas, mostra levantamento Genial/Quaest coletado entre os dias 5 e 9 de fevereiro e divulgado no domingo (15). Outros 43% dizem não confiar nas urnas.

A desconfiança é maior entre evangélicos (52%) e eleitores que votaram no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno de 2022 (69%). Nos últimos anos de mandato, especialmente nos meses que antecederam o pleito naquele ano, Bolsonaro desacreditou publicamente a confiabilidade do sistema de votação por diversas vezes.

Entre a direita que hoje se diz bolsonarista, 77% desconfiam das urnas, em comparação a 65% entre a direita não-bolsonarista.

A desconfiança também é maior nas regiões Sul (48%) e Centro-oeste/Norte (48%). Na região Nordeste, 59% confiam nas urnas, e, na Sudeste, 54%.

A pesquisa foi realizada com 2.004 brasileiros de 16 anos ou mais, por meio de coleta domiciliar. A margem de erro geral é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%.

Urnas

Até meados da década de 1990, o voto no Brasil era feito em cédulas de papel. A apuração era lenta e frequentemente marcada por denúncias de fraudes, erros de contagem e votos anulados de forma indevida. Em algumas regiões, os resultados demoravam dias para serem conhecidos. O cenário levou a Justiça Eleitoral a buscar uma solução que tornasse o processo mais ágil e seguro.

A mudança começou a ganhar forma dentro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), órgão responsável por organizar e fiscalizar as eleições no País. Em 1995, foi aprovada a lei que autorizou a informatização do voto. No ano seguinte, em 1996, as primeiras urnas eletrônicas foram utilizadas de forma experimental em algumas cidades brasileiras, alcançando cerca de um terço do eleitorado.

A estreia representou um marco. Pela primeira vez, milhões de brasileiros votaram digitando o número de seus candidatos em um equipamento eletrônico. O objetivo era simples: eliminar a interferência humana na contagem dos votos e acelerar a divulgação dos resultados. A experiência foi considerada bem-sucedida.

Em 1998, o sistema foi ampliado. Já no ano 2000, todas as eleições brasileiras passaram a ser realizadas exclusivamente por meio eletrônico. O Brasil se tornou um dos primeiros países do mundo a adotar a votação totalmente informatizada em escala nacional.

Ao longo dos anos, o sistema passou por diversas atualizações tecnológicas. Novos mecanismos de segurança foram incorporados, como criptografia, lacres físicos, assinaturas digitais e auditorias públicas. Em 2009, foi incluída a identificação biométrica, que começou a ser implantada gradualmente para evitar que uma pessoa votasse no lugar de outra.

O TSE também passou a realizar testes públicos de segurança, convidando especialistas para tentar encontrar vulnerabilidades no sistema. Segundo o tribunal, esses testes ajudam a aprimorar continuamente a tecnologia.

Apesar dos avanços, as urnas eletrônicas também passaram a ser alvo de debates políticos. Questionamentos sobre transparência e possibilidade de fraude surgiram em diferentes momentos, especialmente a partir da década de 2010. O tema ganhou ainda mais visibilidade durante o governo de Jair Bolsonaro, que levantou suspeitas sobre o sistema e defendeu a adoção do voto impresso paralelo à urna eletrônica. A proposta, no entanto, foi rejeitada pelo Congresso Nacional em 2021. (Com informações da Folha de S.Paulo)

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