Terça-feira, 27 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 26 de janeiro de 2026
A Petrobras reduzirá, a partir desta terça-feira (27), seus preços de venda de gasolina para as distribuidoras em 5,2%. Assim, o preço médio de venda passará a ser, em média, de R$ 2,57 por litro, uma redução de R$ 0,14 por litro.
É a primeira redução desde o dia 20 de outubro do ano passado, quando a estatal reduziu o preço da gasolina de R$ 2,85 para R$ 2,71. Com isso, a estatal marca a terceira redução seguida desde o ano passado.
Desde dezembro de 2022, o custo da gasolina na refinaria caiu R$ 0,50 por litro. Considerando a inflação do período, trata-se de uma redução de 26,9%, informou a estatal.
Decisão política
Dados da Abicom, associação que reúne os importadores, apontam que a gasolina estava sendo vendida no Brasil a 8% acima do preço no exterior pela Petrobras nesta segunda-feira, antes do anúncio da companhia. Segundo a Abicom, o valor por litro comercializado pela estatal estava R$ 0,21 acima do verificado no mercado internacional.
Desde o fim de novembro, o combustível vendido pela Petrobras ostentava preços mais elevados no país, com valores de até 11% acima dos cobrados no exterior.
Na avaliação de Pedro Rodrigues, sócio da consultoria CBIE, a gasolina vinha sendo vendida acima do mercado externo. Com isso, ao se levar em conta o cenário da política de paridade de preços no mercado internacional, há espaço para redução. Ele pondera, no entanto, que, no caso do diesel, a lógica é diferente.
O valor do diesel não foi alterado pela companhia, que mantém seus preços de venda no mesmo patamar desde maio do ano passado – quando, na ocasião, reduziu de R$ 3,43 para R$ 3,27 por litro. Desde dezembro de 2022, diz a Petrobras, a redução acumulada nos preços de diesel para as distribuidoras, também considerando a alta dos preços ao consumidor, é de 36,3%.
“No diesel, a recíproca não é verdadeira, já que a estatal vem vendendo abaixo do mercado internacional em cerca de 8%. Portanto, deveria elevar o preço do diesel. Mas, se a estatal não segue a PPI, cria-se uma artificialidade, pois o mercado não sabe quando os preços serão alterados. Hoje, a companhia está perdendo dinheiro com o diesel. Assim, esse anúncio da Petrobras soa mais como algo político do que como um anúncio corporativo”, afirma Rodrigues.
Dados da Abicom indicam que a estatal vem vendendo diesel abaixo do praticado no exterior. Na última semana, o combustível comercializado pela Petrobras estava entre 2% e 9% mais barato.
Expectativa
A expectativa das petroleiras este ano já era de preços mais baixos do barril de petróleo. O preço do barril de petróleo do tipo Brent, que serve de referência no mercado internacional, é negociado nesta segunda-feira a US$ 65 o barril. Desde o final de setembro, acumula queda de 7%.
Outros eventos contribuíram para aumentar a incerteza, como a operação dos Estados Unidos na Venezuela. Do começo do ano para cá, o barril acumula alta de 6,5%.
Relatório do Itaú BBA classificou o corte da estatal de “abaixo das expectativas”. Segundo o banco, o ajuste era amplamente esperado. “Desde o final de novembro, a diferença entre os preços domésticos da gasolina e o preço de paridade internacional (PPI) aumentou e persistiu, levando os investidores a antecipar que uma revisão possa ocorrer no curto prazo”.
Faixa dos US$ 50
Com base nas estimativas do Itaú, os preços da gasolina doméstica da Petrobras estavam cerca de 10% acima do cenário externo antes do ajuste. Por isso, “foi um pouco menor do que o previsto”. Após o ajuste, os preços domésticos devem ficar cerca de 5% acima do PPI, diz o banco.
Para Rodrigues, o cenário é de preços baixos do barril de petróleo. Estimativas do cenário internacional apontam para um preço do barril na faixa dos US$ 50 nos próximos anos.
“E no Brasil há ainda a influência do câmbio sobre o preço do combustível. Acredito que, mesmo com o anúncio de aumento da produção da Venezuela, não se sabe em que prazo isso vai ocorrer, pois depende dos desafios políticos que os governos americano e venezuelano terão do ponto de vista institucional para que as empresas voltem a investir no país. Esse ainda é um desafio. Mas, claro, há guerras que ainda podem acontecer, o que pode alterar o preço”, explica Rodrigues. (Com informações da CNN Brasil e O Globo)