Terça-feira, 07 de abril de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 6 de abril de 2026
Após quatro semanas consecutivas de alta, os preços da gasolina e do diesel deram sinais de estabilidade nos postos brasileiros, de acordo com a pesquisa semanal divulgada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP). O levantamento indica uma desaceleração no ritmo de reajustes ao consumidor, ainda que os valores permaneçam em patamares elevados.
Segundo os dados mais recentes, a gasolina foi comercializada, em média, a R$ 6,78 por litro em todo o país, repetindo o mesmo valor registrado na semana anterior. Já o diesel S-10 apresentou uma leve variação, com aumento de R$ 0,01 por litro, alcançando o preço médio de R$ 7,58. Embora a mudança seja considerada marginal, ela mantém a tendência de preços pressionados no mercado de combustíveis.
A ANP não costuma interpretar os resultados de suas pesquisas, mas agentes do setor avaliam que os principais repasses decorrentes da alta das cotações internacionais já foram realizados nas semanas anteriores. Neste momento, segundo essas fontes, os ajustes têm sido pontuais e de menor intensidade, refletindo um período de acomodação após a escalada recente.
Desde o início do conflito no Irã, os combustíveis acumulam aumentos relevantes. A gasolina registra alta de cerca de 8%, enquanto o diesel já subiu aproximadamente 24% no período. Esse movimento acompanha, sobretudo, os reajustes promovidos por importadores privados, que operam com base nos preços internacionais. No caso da Petrobras, houve elevação no valor do diesel nas refinarias, mas o impacto ao consumidor foi parcialmente compensado por medidas fiscais, como a isenção de tributos federais.
A trajetória de alta nos preços preocupa o governo federal, especialmente pelos efeitos sobre a inflação em um contexto de ano eleitoral. Há três semanas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou um pacote de medidas voltado à contenção dos preços, incluindo a isenção de PIS/Cofins e a criação de uma subvenção de R$ 0,32 por litro de combustível.
Apesar disso, o pacote foi considerado insuficiente por parte dos importadores privados. O principal argumento é que o subsídio não cobre integralmente a diferença entre os preços praticados no mercado internacional e os valores máximos definidos pelo governo para o pagamento da subvenção. Diante desse cenário, grandes distribuidoras optaram por não aderir à primeira fase do programa.
Nessa segunda-feira (6), o governo anunciou novas medidas, em uma tentativa de ajustar o programa e ampliar sua adesão. A expectativa do setor é que eventuais mudanças possam abrir espaço para novos reajustes nas refinarias da Petrobras, que atualmente pratica preços abaixo da chamada paridade de importação.
Dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) indicam que, na abertura do mercado desta segunda, o preço do diesel nas refinarias da estatal estava R$ 2,52 por litro abaixo da paridade internacional. No caso da gasolina, a defasagem era de R$ 1,48 por litro, o que mantém a pressão por ajustes.
No cenário externo, a incerteza em relação ao desfecho do conflito no Irã segue influenciando o mercado de petróleo. A cotação do barril do tipo Brent, referência internacional negociada em Londres, iniciou a semana em alta e, por volta das 16h30, estava próxima de US$ 110. (Com informações da Folha de S.Paulo)