Quinta-feira, 05 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 4 de março de 2026
Pelo segundo mês consecutivo, o Preço da Cesta de Alimentos (PCA-RE) no Rio Grande do Sul sofreu retração. A queda foi de 0,53% em fevereiro, com um valor de R$ 288,33 – o menor desde novembro do ano anterior. Já no acumulado dos últimos 12 meses o recuo é de 2,83%, de acordo com boletim divulgado nessa quarta-feira (4) pela Secretaria da Fazenda (Sefaz).
A maior redução média de preços ocorreu no Litoral, onde a cesta caiu 2,7%, passando a custar R$ 304,85. Com o resultado, a região deixa de figurar no topo do ranking de maior preço no Estado, posição ocupada em janeiro durante o auge da temporada de verão. Em fevereiro, o maior valor voltou a ser encontrado na região das Hortênsias, com a cesta custando R$ 306,19, mesmo com uma redução de 1,18% no mês.
Já a maior alta no preço dos alimentos foi registrada na região dos Campos de Cima da Serra, que abrange cidades como Vacaria e Bom Jesus. Na localidade, a cesta alcançou o patamar de R$ 300,79, subindo 1,99% no mês. Os alimentos também ficaram mais caros na Região Metropolitana do Delta do Jacuí (que inclui Porto Alegre), onde a cesta chegou a R$ 296,01 – uma alta de 0,45%.
O PCA-RE monitora a variação de preço de 80 itens alimentícios com base nas informações das notas fiscais eletrônicas emitidas pelo varejo. O levantamento é publicado mensalmente no Boletim de Preços Dinâmicos e pode ser consultado no site receitadados.sefaz.rs.gov.br.
Baixa renda
A queda de preço médio da cesta de alimentos em fevereiro teve maior impacto sobre as famílias de menor poder aquisitivo. Conforme o Índice de Inflação por Faixa de Renda, indicador exclusivo levantado pela Receita Estadual, nos domicílios com rendimento de até dois salários-mínimos houve deflação de 4,24% em 12 meses.
Já a segunda faixa de renda com maior redução foi a que recebe entre dois e três salários-mínimos. Para esse segmento, a deflação ficou em -4% no período.
“A diferença do impacto inflacionário entre os estratos de renda ocorre pela distinção do hábito de consumo”, explica a Receita Estadual – vinculada à Sefaz. Alimentos consumidos com maior frequência por famílias de baixa renda tiveram quedas mais expressivas e passaram a pressionar menos seus orçamentos. Em fevereiro, houve redução em todas as faixas de renda analisadas, de dois a 25 salários-mínimos.
Frutas x ovos
Dentre os 12 grupos analisados, as frutas tiveram a maior queda no preço médio em fevereiro, com recuo de 4,83% frente ao mês anterior. A retração foi puxada pela uva, cujo quilo caiu 24,9%, vendido a uma média de R$ 9 nos supermercados.
O mamão também ficou mais barato, com recuo de mais de 17%, encontrado a uma média de R$ 9,49. Maçã (-14,3%) e banana (-13%) também ajudaram a aliviar a pressão inflacionária.
A maior alta de fevereiro, por sua vez, foi registrada no grupo das aves e ovos, com elevação de 4,49%. O preço do ovo de galinha, após uma série de quedas no ano passado, tem pressionando o orçamento das famílias neste ano, com um crescimento de 9% no acumulado do primeiro bimestre.
(Marcello Campos)