Sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 29 de janeiro de 2026
A alta nos preços do café nos últimos anos levou à redução do consumo da bebida no mercado brasileiro em 2025. Segundo dados divulgados nesta quinta-feira (29) pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), o consumo interno caiu 2,31% no período entre novembro de 2024 e outubro de 2025, na comparação com os 12 meses anteriores.
O volume consumido passou de 21,9 milhões para 21,4 milhões de sacas de 60 quilos. O recorde histórico foi registrado em 2017, quando o consumo interno alcançou 22 milhões de sacas.
No mesmo período, o preço do café ao consumidor subiu 5,8%, refletindo a volatilidade acumulada nos anos anteriores. De acordo com a Abic, nos últimos cinco anos o preço da matéria-prima avançou 201% no caso do café conilon e 212% no arábica. No varejo, a alta acumulada foi de 116%.
Para o presidente da Abic, Pavel Cardoso, o movimento de alta nos preços em 2025 é consequência direta de problemas recorrentes nas safras, impactadas por condições climáticas adversas, além de níveis historicamente baixos de estoques globais.
“Desde 2021 existe um descasamento na cadeia global de oferta e demanda. Tivemos problemas climáticos sucessivos que frustraram o tamanho das safras”, afirmou em entrevista concedida nesta quinta-feira, em São Paulo.
Apesar da retração no consumo, Cardoso avalia o resultado como positivo diante do cenário recente. Segundo ele, mesmo com o forte aumento da matéria-prima desde 2021, o consumo doméstico se manteve relativamente estável ao longo do período.
“O café mostrou, mais uma vez, sua resiliência. O brasileiro não abre mão do consumo, mesmo diante de aumentos expressivos de preços”, disse.
Mesmo com a queda registrada, o Brasil segue como o segundo maior consumidor de café do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. No consumo per capita, no entanto, o País supera os americanos, com média de cerca de 1,4 mil xícaras por habitante ao ano.
Expectativas para 2026
A redução no consumo não afetou o faturamento da indústria. Em 2025, a receita do setor cresceu 25,6%, totalizando R$ 46,24 bilhões, impulsionada principalmente pelo aumento dos preços ao consumidor, segundo a Abic.
Para 2026, a entidade projeta um cenário de maior estabilidade, embora sem expectativa de quedas significativas nos preços no curto prazo. A entrada de uma safra considerada positiva deve reduzir a volatilidade, mas os estoques globais ainda baixos limitam recuos mais expressivos.
“O entendimento do mercado é que serão necessárias pelo menos duas safras para que haja uma redução de preços mais confortável para o consumidor”, afirmou Cardoso.
Enquanto isso, a estratégia do setor deve se concentrar em ações promocionais no varejo para estimular a demanda.