Segunda-feira, 05 de janeiro de 2026

Prefeito de Cachoeirinha e seu vice sofrem impeachment. Cidade terá nova eleição

Com um placar de 14 votos a três, a Câmara de Vereadores de Cachoeirinha (Região Metropolitana de Porto Alegre) aprovou em sessão extraordinária o impeachment do prefeito Cristian Wasem (MDB). Também foi cassado o seu vice, João Paulo (PP), por 13 a quatro. Ambos eram alvo de processos abertos em outubro, devido a acusações de irregularidades na gestão municipal.

O comando da cidade é agora exercido de forma provisória pela presidente do Legislativo local, Jussara Caçapava (Avante), até que um novo pleito seja realizado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE). O prazo é de até seis meses.

Um relatório elaborado pela Comissão Processante da Câmara dos Vereadores atribuiu ao então prefeito a prática de pedaladas fiscais no regime próprio de previdência (Iprec), além de conduta atentatória à autonomia e ao funcionamento do Legislativo municipal. Em relação ao vice, foi apontada contratação emergencial irregular e infrações quando ele ocupou interinamente o cargo de prefeito.

Além da cassação de seus mandatos, Cristian Wasem e João Paulo estão inelegíveis pelos próximos oito anos. As informações constam no site cmcachoeirinha.rs.gov.br.

Como votaram os vereadores

– Claudine Silveira (PP): Não votou, por ser esposa do vice-prefeito. Foi então substituída pelo suplente Fernando Medeiros (PP), que votou pelo “Sim” em ambos os julgamentos.
– Cléo do Onze (MDB): Não pela cassação em ambos os casos.
– Edison Cordeiro (Republicanos): Sim pela cassação em ambos os casos.
– Fernando Medeiros (PP): Sim pela cassação em ambos os casos.
– Flávio Cabral (MDB): Sim pela cassação em ambos os casos.
– Gelson Braga (Avante): Sim pela cassação em ambos os casos.
– Gilson Stuart (Republicanos): Sim pela cassação em ambos os casos.
– Gustavo Almansa (PT): Não pela cassação em ambos os casos.
– Jussara Caçapava (Avante): Não votou. Por ser presidente da Câmara Municipal, ela declarou-se impedida por estar na linha sucessória do cargo de prefeito. Foi então substituída na votação por seu suplente Gelson Braga (mesmo partido), que votou pelo “Sim” em ambos os casos.
– Léo da Costa (PT): Sim pela cassação do prefeito e Não pela cassação do vice.
– Mano (PL): Sim pela cassação em ambos os casos.
– Marcelo Mattos (MDB): Sim pela cassação em ambos os casos.
– Otoniel Gomes (MDB): Sim pela cassação em ambos os casos.
– Paulinho da Farmácia (PDT): Sim pela cassação em ambos os casos.
– Pricila Barra (Podemos): Sim pela cassação em ambos os casos.
– Sandrinha (Republicanos): Sim pela cassação em ambos os casos.
– Tiago Eli (PP): Sim pela cassação em ambos os casos.
– Uilson Droppa (Podemos): Não pela cassação em ambos os casos.
– Zeca Transportes (MDB): Sim pela cassação em ambos os casos.

Cristian Wasem se manifesta

“Delegado João Paulo e eu fomos eleitos democraticamente pelo povo de Cachoeirinha com 71,8% dos votos válidos, totalizando 47.364 votos, resultado que nos confere legitimidade para governar não apenas para aqueles que nos elegeram, mas para toda a população de Cachoeirinha.

O que ocorreu na Câmara Municipal não é um processo legítimo, tampouco uma apuração responsável de fatos. Trata-se de uma manobra política explícita, construída para rasgar a vontade popular e permitir que um grupo político assuma o comando da Prefeitura sem eleição, sem legitimidade e sem respaldo democrático.

Esse processo de cassação não se sustenta em fatos, provas ou qualquer tipificação legal. Não há crime, não há ato ilícito e não há qualquer conduta que autorize a retirada de um prefeito e de um vice-prefeito eleitos pelo povo. O próprio relatório final da Comissão Processante admite expressamente a inexistência de crime, deixando claro que o objetivo do processo jamais foi a legalidade, mas sim um resultado político previamente definido.

Estamos diante de um ataque frontal à democracia e à soberania popular. Não se trata apenas de um ataque ao prefeito, mas de uma afronta direta aos 47.364 eleitores e a toda a população de Cachoeirinha, que vê sua escolha ser violentada por interesses pessoais e partidários.

Nossa gestão, até aqui, foi marcada por uma conduta ética, transparente e responsável, com entrega de obras, serviços e resultados concretos, além de um trabalho firme de resgate da credibilidade e do nome de Cachoeirinha, rompendo com práticas que por anos comprometeram a imagem do município e que não encontram espaço nesta administração. É exatamente esse rompimento com o passado que incomoda e ajuda a explicar a tentativa de golpe político em curso.

Não se trata de divergência administrativa, tampouco de fiscalização legítima. Trata-se de uma investida política deliberada para afastar, sem crime e sem justa causa, um prefeito e um vice-prefeito eleitos pelo povo, substituindo o voto popular por arranjos de bastidores. Isso não é política, é desrespeito à democracia.

Com esse desfecho, reafirmo que o mandato que nos foi confiado pertence ao povo de Cachoeirinha. Não se golpeia a vontade popular, não se contorna o voto e não se negocia a democracia. A história e os fatos haverão de registrar com clareza quem respeitou e quem violou a escolha soberana da população”.

(Marcello Campos)

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