Segunda-feira, 02 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 1 de fevereiro de 2026
A preferência do bolsonarismo pela instalação de CPMIs em vez de CPIs é porque os colegiados mistos são criados automaticamente a partir da assinatura do quórum necessário (um terço dos assentos tanto na Câmara quanto no Senado: 171 deputados e 27 senadores), enquanto as comissões normais requerem autorização do presidente da Casa.
O plano inclui:
• Prorrogação da CPI do INSS: para explorar o suposto envolvimento de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha (filho do presidente), em crises do setor.
• CPMI da Secom: investigar o chamado “gabinete do ódio” que a oposição alega existir dentro da Secretaria de Comunicação da Presidência da República.
• CPI do Banco Master: uma tentativa de atingir indiretamente ministros do STF, embora magistrados da Corte duvidem que o tema avance em ano eleitoral.
Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) dizem não acreditar que a abertura de uma CPI do Banco Master, que respingaria em integrantes da Corte, avance neste ano, como o Estadão mostrou. Eles apostam que, com as campanhas eleitorais, o Congresso Nacional terá outras prioridades.
A percepção no Supremo é que os parlamentares estarão mais preocupados em 2026 com a realização das campanhas nas base e a aprovação da PEC da Segurança Pública, considerada fundamental em ano eleitoral. Com isso, ficaria difícil encontrar quórum suficiente para investir em ações contra o tribunal.
“A PEC da segurança está parada. Nem o governo gostou dela, nem a gente. Ninguém gostou. A gente vai trabalhar questões de segurança pública, mas de outra forma. Temos propostas muito melhores. É uma das pautas prioridades, é só perguntar para qualquer brasileiro na rua hoje”, declarou Kicis.
Cabo Gilberto Silva (PL-PB), que sucede Luciano Zucco (PL-RS) na liderança da oposição na Câmara, afirma que, além dessas cinco frentes, o bolsonarismo deve “evitar projetos maléficos à população, como Lula vem aprovando”.
Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado, diz que as prioridades na Casa vão na mesma linha daquelas da Câmara. A Casa terá ainda uma tarefa exclusiva, que é a de votar a indicação de Lula para o STF, Jorge Messias.
Messias tem um caminho difícil pela frente. No fim do ano, ele enfrentava uma resistência firma do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), descontente com a escolha de Lula.
O PL declarou que vai votar contra a indicação — se isso ocorrer, será a primeira vez em mais de cem anos que um indicado pelo presidente da República ao STF é barrado. Dar a Lula uma derrota histórica poderá delimitar a força que o Palácio do Planalto tem no parlamento, a poucos meses das eleições.